Aspectos da intervenção no Rio

18 de Fev de 2018

Aspectos da intervenção no Rio

Aspectos da intervenção no Rio | editoriais@justicaemfoco.com.br

Presidente Michel Temer, num ato destemido de coragem cívica, decretou intervenção na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. Para quem desconhece o peso desta decisão e seus efeitos, imaginará que se trata de mais uma ação midiática - como as demais que ocorreram ao longo das últimas três décadas - com tempo determinado e aviso antecipado, oportunidade para que os chefes do narcotráfico deem uma trégua nas disputas das quadrilhas por domínio de áreas; suspendam temporariamente o abastecimento de entorpecentes; roubo de cargas; importação de armas e munições; uma espécie de férias da bandidagem que comanda de norte a sul as organizações criminosas, permanentemente em disputa: PCC, ADA; Sindicato do Crime; Comando Vermelho... Duas ou três dezenas de “aparelhos” contraventores, que conduzem ações criminosas, deixando como reféns 210 milhões de brasileiros.

O anúncio foi tão impactante, que provocou uma euforia popular semelhante historicamente apenas ao fim do AI-5, Plano Cruzado; Plano Collor e Plano Real. As pesquisas (enquetes) realizadas nas redes sociais e na radiofonia mostram que mais de 95% da população, aprovaram a iniciativa do Presidente Michel Temer. Consideram um passo decisivo, para conter o fim da violência banalizada, instalada e, até o momento, em franca expansão em todo território nacional. Todavia resta a pergunta: será que o Presidente Michel Temer, Supremo comandante das Forças Armadas do Brasil, terá pulso para arrostar os boicotes e sabotagens da minoria inexpressiva dos demais Poderes e Instituições, defensores e sobreviventes deste quadro de caos? Não nos referimos aos quadrilheiros. Mas, Partidos Políticos com assentos no Congresso Nacional, Poder Judiciário e suas duas Cortes de Justiça (STF e STJ); PGR; Ministério Público Federal; OAB; Anistia Internacional; Pastoral da Carcerária; setores da mídia que defendem “presidenciáveis”... Um bloqueio que poderá tumultuar a nobre e salvadora intenção do primeiro mandatário da nação.

Evidente que o artigo 34 da Constituição Federal confere estes poderes ao Presidente da República. Infelizmente, o ato ainda terá que ser examinado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal. Isto não foi explicado ao povão, que aguarda com ansiedade resultados bombásticos e imediatos, como centenas de prisões, toneladas de drogas sendo destruídas; caminhões de celulares, armas brancas e de fogo saindo dos presídios; fim dos “arrastões”, e repressão à altura das Forças Armadas. O General Walter Souza Braga Netto, Interventor do Estado do Rio de Janeiro, ainda aguarda “decretos complementares” para iniciar sua tarefa. A grande dúvida de alguns Militares do Exército é como se comportarão as tropas, preparadas para guerra e não para ações pontuais (policiais) com “negociações”, que não seja rendição. A Polícia só atira, quando sua voz de prisão não é atendida. O Exército extermina o inimigo, se possível antes de persegui-lo. Vence a guerra, o elemento surpresa. Comissões de Direitos Humanos, ao lado do Ministério Público, exigirão armas para perícia, exames balísticos? Bandido baleado pelas costas, Policial responde por homicídio. Estas regras são desconhecidas pelas operações Militares do Exército, que atira primeiro para exterminar o inimigo. Resta saber se será marcado por esse modelo ou ele será abandonado?
 

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