VISÃO DEMOCRÁTICA DO PSL

29 de Mar de 2018

VISÃO DEMOCRÁTICA DO PSL

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O PSL do Distrito Federal, sob a presidência de Newton Lins, adota uma postura de vanguarda, cujo objeto é ouvir todos os pré-candidatos ao governo do DF, com o propósito de identificar qual destas legendas e suas propostas mais se aproximam do projeto do presidenciável de Jair Bolsonaro, candidato da sigla, no momento com chances inconfundíveis de disputar o pleito de outubro deste ano.

A importância desta ação do PSL – se for adotada nos demais Estados da Federação - fundamenta-se no estreitamento entre o candidato Jair Bolsonaro e as militâncias das mais diversas agremiações políticas, com pré-candidaturas aos governos estaduais, uma verdadeira entrada no terreiro dos outros partidos. A iniciativa privilegia Jair Bolsonaro, contribuindo para aperfeiçoar sua imagem - ora distorcida e enxergada sob o prisma de “intolerância” ou radicalismo – fato amplamente explorado por alguns de seus principais concorrentes, profundos conhecedores do comportamento sociológico do país. Por outro lado, observamos que ao longo da história, sempre ocorreram “acomodações” partidárias com coligações esdrúxulas, como o historicamente marcante Antônio Carlos Magalhães – radical de direita - apoiar Lula (PT) em sua primeira eleição (2002), gesto seguido por Sarney no Maranhão e Amapá, que estavam mais preocupados em manter suas lideranças, do que com a questão político-ideológica.

A discussão partidária, no tocante à “verticalização do voto”, foi objeto de discussão, justamente provocado pelo PSL, através do seu ex-secretário nacional Ronaldo Medeiros por ocasião da candidatura do Deputado Luciano Bivar à Presidência da República em 2006, pelo mesmo partido, que teve o Ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho e empresário Américo de Souza, como vice-presidente na chapa. 

A consulta da Regra da Verticalização, formulada por iniciativa daquela liderança – acabou por gerar o debate entre o Judiciário e o Congresso Nacional resultando na edição da Emenda Constitucional n° 52/2006, que acabou com a manobra das grandes legendas, que exigiam a “verticalização do voto”, inclusive apelidado de "camisa-de-força" pelo ministro Marco Aurélio que manteve seu entendimento contrário à prática da verticalização no Brasil, por considerá-la lesiva à autonomia dos partidos políticos.

O fato tantas vezes rememorado é que ninguém é candidato de si mesmo. É necessário sensibilidade e equilíbrio para vencer uma eleição, num país de 210 milhões de habitantes, com 36 partidos registrados no TSE, dos quais 14 já com pré-candidatos a presidente. Esta “fragmentação” pode ser movida facilmente por uma “onda” instantânea, surgida em forma de tsunami, afogando muitos preferidos e imbatíveis num curto período de tempo.

Lembremo-nos do ano de 1989, a hiperinflação e o otimismo do PT em ganhar facilmente a campanha. O Senhor Diretas, Ulysses Guimarães, símbolo da resistência da redemocratização, por vezes enaltecido como pai da Constituição Cidadã, igualmente se sentia tão eleito, quanto Mário Covas e Aureliano Chaves. Com apenas 30 segundos no horário gratuito, Enéas foi mais votado que Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves. Mário Covas, unindo Rio e São Paulo e diversos estados do Nordeste com o PSDB, não alcançou a metade dos votos do gaúcho Leonel Brizola, que por apenas 0,8% não alcançou o segundo turno. O fato é até hoje questionável, graças ao Presidente do TSE Francisco Rezek de se recusar em recontar os votos do Nordeste. Fernando Collor de Melo, que oito meses antes do pleito tinha apenas 6% das intenções de votos, disparou na corrida presidencial, alcançando no final de agosto - como mostraram pesquisas da época - a posição confortável de primeiro lugar no primeiro turno.

O Presidente do diretório do PSL no DF, Newton Lins, dá um passo importante - dando início ao processo de “sabatinas”, através de encontros com pré-candidatos ao governo do DF.

Quanto ao bem cotado presidenciável Jair Bolsonaro, resta um alerta: o “establishment” ainda o ignora, e despreza completamente sua postulação. Seu nome e as manifestações de apoio que tem recebido em todo o país, não foram divulgados por nenhuma das quatro grandes redes de televisão abertas, que dominam a audiência do país: Globo, Record; Band e SBT. Ainda não fizeram nenhum registro sobre sua boa performance na corrida presidencial. A Record (leia-se Igreja Universal/PRB) acaba de lançar um candidato: empresário Flávio Rocha, igualmente de Direita, contudo com uma retaguarda técnica e empresarial superior no âmbito da economia nacional.

As redes sociais têm segurado até o momento, a confortável posição de Jair Bolsonaro. Mas, qual seu limite e poder de persuasão? O PT, por exemplo, está “infiltrado” dentro das redes desde 2010, ocupando um vasto espaço, com seguidores e formadores de opinião. Mas então, por que Lula não decola ou decolou? Ontem, sob alegação de um suposto atentado, encerrou sua “caravana” de forma melancólica na região sul, onde para sua surpresa, foi recebido com manifestações hostis, jamais vistas na “história deste país”.

O vendaval das redes sociais vergam o bambuzal da preferência popular, ora para um lado, ora para outro. Resta saber para que lado vergará em 7 de outubro próximo.

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