A volta das maritacas políticas do Centro-Oeste

Vasco Vasconcelos
Vasco Vasconcelos

19 de Jun de 2018

A volta das maritacas políticas do Centro-Oeste

A grande maioria das raposas políticas ancoradas na Capital da República, ao contrário dos pensadores e homens públicos de primeira linha aqui residentes, só aparece para "defender" os problemas que afligem a nossa querida cidade, quando se aproximam das eleições ou seja, não passam de grandes oportunistas e/ou paraquedistas sazonais.

Aliás, esses políticos estão para Brasília da mesma maneira que as maritacas do Rio Abaeté estão para os arrozais daquela região mineira: só aparecem para destruir, devorar.


Durante a seca, as maritacas levantam voo do Abaeté em busca de lavouras em outras regiões e isto representa um alívio para os agricultores daquela área e motivo de preocupação para os produtores de outras paragens do País.

Da mesma forma, quando arribam daqui certas figuras pálidas e peçonhentas deixando em seu rastro uma sensação de alívio para os brasilienses, mas levam preocupação a outras comunidades. 

As maritacas da nossa política infelizmente, estão de volta, e deverão pegar carona no horário eleitoral gratuito. É temporada de caça ao voto, na região do entorno, e elas reaparecem com a maior cara de pau, prometendo empregos, felicidades e melhoria das condições de vida da população que já se disse, tem como profissão a esperança.

Destarte seria tão bom se os políticos fizessem como nossos melhores jogadores de futebol: abandonassem a carreira quando ainda têm uma boa imagem. Para isso, só precisariam mirar-se nos exemplos do Rei Pelé, de Zico, Oscar, Paula e tantos outros, que, no auge da fama penduram as chuteiras e prosseguem vivendo uma vida particular exemplar. Não dificilmente se tem notícia de político que abandone a política quando ainda têm uma boa imagem. Há raríssimas exceções, porque a generalidade dos políticos morre na vida pública e muitas vezes no ocaso da vida política.

Duas das piores desgraças de um país são a corrupção e a incompetência, principalmente se ele está ainda em desenvolvimento. O pior é que, no Brasil ambas andam atreladas.

Temos um exemplo em casa; com o advento da perniciosa autonomia política do Distrito Federal, os serviços básicos, agora dirigidos por políticos estão em queda livre: educação, saúde e segurança nunca estiveram tão deficientes, ou seja, o que falta é competência, qualidade rara ente os políticos principalmente daqui da Capital da República que de olho na imunidade parlamentar, investem milhões de dólares, para ganhar um salário R$ 25.322,25, verba indenizatória R$ 25.322,25, verba para contratar funcionários R$ 184.104,93, servidores por gabinete 23, auxílio-creche 681,85, auxílio-alimentação R$ 1.072,00 perfazendo o valor total de R$ 235.821,43.  

Isso significa Senhores,  que cada parlamentar do Distrito Federal custa ao contribuinte brasiliense quase um terço a mais que um integrante da Câmara dos Deputados e num ufanismo vergonhoso, ainda costumam-se vangloriar-se, pela votação maciça obtida dos otários, aferindo os méritos pela exterioridade, o que considero, motivo de vergonha nacional, estuprar a consciência dos eleitores, fraudando suas vontades de escolher ao invés dos candidatos que  que distribuem lotes, camisetas, bonés etc., ou seja ao invés de candidatos mais abastados, elegerem os mais preparados.

Felizmente foi sancionada, em 28.09.99 e publicada no DOU de 29 subsequente, a Lei nº 9.840/99, que combate a corrupção eleitoral, ou seja, considera crime durante a campanha eleitoral, a compra de voto, oferecer vantagens, dinheiro, lote emprego etc., sujeito ao infrator a pena de prisão, pagamento de multa de R$ 977 a R$ 48,8 mil, além da cassação e registro da candidatura. 

Também temos a Lei da ficha Limpa, fruto de ampla mobilização popular, a qual fortaleceu as punições aos cidadãos e candidatos que violaram a lisura e a ética das eleições ou que tenham contra si condenações na esfera eleitoral, administrativa ou criminal. 

Refiro-me à LEI COMPLEMENTAR Nº 135, DE 4 DE JUNHO DE 2010, que “Altera a Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990, que estabelece, de acordo com o § 9º do art. 14 da Constituição Federal, casos de inelegibilidade, prazos de cessação e determina outras providências, para incluir hipóteses de inelegibilidade que visam a proteger a probidade administrativa e a moralidade no exercício do mandato”.

Que se cuidem as maritacas do Centro-Oeste que possuem dois, três e até, pasmem, quatro mandatos, sem sequer ter uma só lei de grande alcance aprovada no Congresso Nacional. 

As eleições de 2018 estão chegando. Espera-se que a Justiça Eleitoral, institua o "igualitarismo", tornando as eleições, realmente, democráticas, sistema onde todos têm os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, que prevaleça a igualdade de condições para todos os candidatos, onde todos possam concorrer em pé de igualdade, só assim poderíamos expurgar do cenário político, essas maritacas, ou figuras políticas omissas, pálidas e peçonhentas, que tantos malefícios fazem  a nossa querida Capital da República e ao País e ainda querem apodrecer no poder, tomando o lugar de homens épicos, homéricos, que estão lutando com pertinácia e denodo, pelo fim do trabalho análogo a de escravos,  pelo fim da escravidão moderna, enfim pela geração de emprego e renda em respeito ao primado do trabalho.

Vasco Vasconcelos é escritor e jurista