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Estagnação econômica e seus reflexos - por José Carlos Dorte

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Sábado, Dia 18 de Junho de 2016

por José Carlos Dorte
 
Como dizia minha avó: “A fome e a sede põe a lebre a caminho”. Com este provérbio inicio meus comentários para uma síntese do momento em que vivemos.
 
Está em debate em todo país como dividir os recursos financeiros gerados pelos impostos pagos pelas empresas e pelo trabalhador, e a forma que esses recursos são utilizados.
 
De um lado, quem paga os impostos não suporta mais a carga tributária e, do outro, o cidadão espera ser atendido pelas instituições públicas com saúde, educação e transporte de qualidade. O que não acontece.
 
Chegamos a um momento que os direitos transcendem os deveres e os orçamentos, e para regularizar a situação todos deverão dar um passo atrás para reequilibrar as finanças do país.
 
A velha fórmula do tripé da economia: produção, consumo e renda, que sintetiza a dinâmica financeira de uma sociedade, foi atacada no cerne central, da crise de confiança. Quando não se confia, nada evolui e tudo para. A palavra crédito vem do latim “credere”, que significa crer e confiar. Estando o crédito cada vez mais restrito no mercado, as instituições optam por não atuar em momentos de crise.
 
Neste cenário, encontra-se nossos servidores, sem reajustes salariais e, grande parte, com altíssimos volumes de empréstimos, diante das limitações de crédito com as instituições financeiras. Para aqueles que estão nestas condições, a orientação é ter perícia e saber jogar, para não cometer erros e aumentar ainda mais as dificuldades alavancando o endividamento.
 
Alongar a dívida nem sempre é o melhor caminho. Esta tem sido uma prática para reduzir o valor da prestação, entretanto no final pode-se acabar pagando duas vezes o valor da dívida. Neste momento as taxas de crédito aumentaram em função das restrições a crédito e torna-se um perigo a vista.
 
Nossa recomendação é que caso opte em alongar, observe se as taxas são menores da que foi contratada na primeira operação, e não estique muito no prazo para não duplicar o valor final da dívida.
 
Busque outras opções de crédito para amenizar: penhor de joias, se desfazer de alguns bens, como, por exemplo, no caso de possuir dois ou mais veículos, que podem pesar no orçamento. Pode ser uma opção de melhorar o fluxo de caixa.
 
É possível ainda trocar um financiamento de veículo, cuja prestação está afogando o orçamento, por um consórcio. Neste caso, é importante observar as taxas de administração da empresa financiadora.
 
Outra opção é a liquidação dos créditos mais caros pelos mais baratos. Substituir o valor do cheque especial, cartões de crédito que tem taxas superiores a 13% ao mês por crédito consignado ou empréstimos pessoais com taxas inferiores.
 
Analise todas as despesas com um olhar voltado ao momento atual, eliminando aquelas que neste momento é possível para atravessar a crise. Antes da tomada de decisão reflita se não vai trazer prejuízos futuros. Por exemplo: abrir mão de um plano de saúde agora e ter que contratar depois, pagando mais caro. Além de não ter dinheiro e nem o plano, você ainda fica vulnerável a uma doença.
 
No caso de ter dois imóveis, apartamento e casa, sendo um financiado e outro quitado, cabe uma reflexão quanto ao orçamento, se é preciso ou não voltar atrás e se desfazer de algum deles. Existe a opção de morar naquele que foi quitado ou vender o quitado e liquidar o financiamento.
 
Ter foco nas soluções e não se iludir cortando despesas menores que em nada resolve e causando a miopia financeira é o principal. Todas as medidas para reequilibrar o orçamento são necessárias neste momento, porque não sabemos quanto tempo esta crise vai durar. Poderá ser passageira, no entanto, a sua extensão será mortal se nada não for feito.
 
José Carlos Dorte é consultor financeiro da Associação Nacional dos Servidores da Justiça do Trabalho (ANAJUSTRA).

Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com site da ANAJUSTRA.
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