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STF considera rever proibição de vaquejadas - por Ivanir José Bortot

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Sexta-Feira, Dia 28 de Outubro de 2016

por  Ivanir José Bortot 
 
Depois de sentir por dias o “cheiro de cavalo” impregnado por mais de mil animais que desfilaram pelo gramado da Esplanada dos Ministérios, cresceu o sentimento entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a decisão de proibir a vaquejada foi um equivoco.
 
Os magistrados adotaram a decisão pela proteção dos maus tratos às vacas e bezerros, mas acabaram atingindo em cheio a atividade esportiva e cultural do cavalo, um negócio que movimenta mais de R$ 14 bilhões por ano.
 
A maioria absoluta dos manifestantes de Brasília eram produtores de cavalos de diversas competições esportivas e de animais rústicos destinados a lida do campo, preocupados com o impacto da vaquejada em seus negócios.
 
O cavalo quarto de milha, por exemplo, é um animal de utilizado em atividade esportiva de rede e em vaquejada. O empresário Renir Piva, do Haras São Benedito da Cruz Alta, no Distrito Federal, criador do quarto de milha, estima em R$ 200 milhões a comercialização de 400 mil animais desta raça 2016. Piva acredita que haverá impactos significativos na demanda de animais no futuro se persistirem as restrições das vaquejadas.
 
Quando somadas todas as raças de cavalos, o Brasil possui hoje 5,5 milhões de animais, na posição de quarto maior produtor mundial, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Japão, um negócio que deve gerar receitas R$ 14 bilhões em 2016. É verdade que em torno de 80% dos cavalos são utilizados ainda na atividade de campo, onde por certo ajudam o homem a derrubar vacas para curar bicheira, prática que inspirou a atividade da vaquejada.
 
Os impactos econômicos mais significativos podem ocorrer nos maiores produtores de cavalo: Minas, Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo, mas também nos municípios de Corumbá, no Mato Grosso, onde são produzidos por ano 30 mil cavalos, Feira de Santana (BA), com 17,1 mil, Santana do Livramento (RS), com 17 mil, Alegrete (RS) e São Feliz do Xingú (PA), com 15,7 mil.
 
As chances de uma revisão nesta decisão no STF é grande. Para que isso ocorra será necessário um recurso dos defensores das vaquejadas chamado de embargo infringente, que só poderão ser feito depois de publicado o acordão da Suprema Corte.
 
 
Ivanir José Bortot - Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com pós graduação em jornalismo econômico pela Faculdade de Economia e Administração(FAE) de Curitiba/PR. Repórter especializado em finanças públicas e macroeconomia, com passagens pela Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo e Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Participou da cobertura de formulação e implementação de todos os planos econômicos do país deste o Plano Cruzado, em 1985, ao plano Real, de 1994. Sempre atuou na cobertura diárias das decisões de política econômica dos Ministério do Planejamento, Fazenda e Banco Central. Experiência em grandes coberturas de finanças como das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional(FMI), do Banco Mundial(BIRD) e Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID).

Fonte: Artigo originalmente publicado no www.osdivergentes.com.br.
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