Justiça em Foco

Despedida de Rodrigo Janot - por Júnior Gurgel

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Sexta-Feira, Dia 17 de Março de 2017

Artigo do Jornalista e Memorialista político Júnior Gurgel, que aborda os riscos da democracia brasileira, com a lista do Procurador Rodrigo Janot que encerra seu mandato em setembro próximo. Gurgel fala ainda sobre, a “teoria da conspiração” do Poder Judiciário acumular o Executivo, caso o Ministro Edson Fachin acatar as denúncias do Procurador Geral da República. Na linha sucessória ficam impedidos, o Presidente da Câmara Rodrigo Maia e do Senado Federal Eunício Oliveira, cujos nomes estão inscritos na “lista”. O mandato do Presidente Michel Temer, fica nas mãos do Ministro Gilmar Mendes (TSE). Toda ação, provoca uma reação igual ou contrária. Na leitura de Júnior Gurgel, o Congresso reagirá, e votará uma anistia “caixa dois”, onde se inserirão todos envolvidos pela Lava-Jato.
 
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"Despedida de Rodrigo Janot -  por Júnior Gurgel
 
Restam apenas 180 dias para terminar o mandato do Procurador Geral da República Rodrigo Janot (17.09.2017). Despido de fatos históricos marcados por ampla repercussão, a exemplo de seus antecessores Antônio Fernando Barros e Silva de Souza - que denunciou o esquema do mensalão desmantelando uma quadrilha – e Roberto Gurgel, que pediu a condenação e pôs na cadeia 25 dos 38 réus julgados pelo STF, Janot durante seus dois mandatos só apresentou “listas” e pediu prisões preventivas. Mas, seu último gesto, causará transtornos fenomenais em nossa democracia.
 
Não vai ter a oportunidade de está presente (atuando), no julgamento de nenhum dos denunciados das suas duas listas. Seu ato de despedida, entregando ao STF a “super-lista”, onde constam os nomes de dois ex-presidentes (Dilma e Lula), Presidente do Senado Federal (atual e seu antecessor); Câmara dos Deputados (o atual e seus três antecessores); seis Ministros do atual Governo; dois do governo anterior; Presidentes e ex-presidentes dos mais expressivos partidos políticos do país; líder do Governo no Senado; quatro Senadores da República; cinco Governadores eleitos no pleito de 2014; dois Prefeitos... Nem o “respeitável” Presidente da FIESP Paulo Skaf escapou (?).
 
A passagem do Procurador Geral da República Rodrigo Janot pelo Fórum Econômico Mundial (Davos Suíça), na categoria de convidado especial, deixou-o profundamente comprometido com a mídia internacional, que lhes abriu espaço e sua fala foi ouvida por todo o planeta. A OCDE celebrou acordo no ano 2000 com 41 países, responsáveis por 90% do comércio internacional, inspirada na intenção de combater a corrupção alfandegária, impedindo o contrabando, “pirataria”; tráfico de drogas e lavagem de dinheiro oriundo deste cartel criminoso; influência das gigantes  multinacionais corrompendo “estados” e servidores públicos na compra e venda em transações bilionárias (leia-se caso Rolls-royce, Siemens e suas devoluções milionárias ao Governo Brasileiro, Norte-americano e do Reino Unido). O Brasil, por ser o maior produtor e exportador de drogas do mundo, e o segundo maior fabricante e exportador (também contrabandista) de armas leves do planeta - perdendo apenas para os Estados Unidos – segundo dados da ONG Igarapé, tinha que se fazer presente e ser ouvido neste encontro. Infelizmente a lava-jato estava no seu auge, e nossas “feridas éticas” foram expostas para todos os continentes. Roupa suja se lava em casa. Operação Laja-Jato é um assunto doméstico de corrupção política, que aos cuidados das Instituições Brasileiras, culpados serão punidos, leis serão modificadas e se estabelecerá maior rigor na fiscalização do erário público, dinheiro do contribuinte. 
 
Mesmo assim, acreditamos que a intenção do Procurador Geral da República a partir do Fórum de Davos, seria interagir com o combate a corrupção “globalizada”, acordo que tem o irrestrito apoio da União Europeia (Zona do Euro) e Estados Unidos. Porém, literalmente desprezado pela Rússia, China; Índia; África (Saara e subsaariana); Oriente Médio, Golfo Pérsico Alguns países da América Latina e nenhum que compõe a Oceania. Despertado o seu inequívoco patriotismo pela nobreza da causa, o Procurador Rodrigo Janot ensaiou a possibilidade de sua terceira indicação, para continuar a frente da Procuradoria Geral da República. Seu desafio seria enfrentar a classe política (fragilizada) e a sabatina do Senado, onde 12 de seus integrantes estavam “enrolados” na “Lava-jato”, mas ainda sob seu sigilo. Inesperadamente quem furou a “bolha”, foi seu colega Subprocurador Carlos Frederico, que postou no Fórum de discussão virtual dos Procuradores da República – acesso restrito a categoria – a intenção de Janot de “brindeirar”. Termo que se refere ao ex-procurador Geraldo Brindeiro, que passou oito anos no Cargo (Governo FHC), e ganhou de seus pares a alcunha de “engavetador” Geral da República.
 
No país dos “vazamentos”, a sigilosa postagem do Subprocurador Carlos Frederico foi notícia de destaque do Jornal O Globo, em sua edição de 19.01.2017. O fato assanhou toda a classe política, entendendo finalmente, que era chegada a hora de “botar o *chocalho no gato”. A grande mídia nacional, sabendo das intenções de Janot, o elegeu imediatamente como a “solução final” da lava-jato, e de toda a corrupção brasileira. Sem generalizar, e com devidas ressalvas, logo a velha mídia? Eivada de vícios, remunerada pelo caixa 2; que sempre fez vistas grossas a compra de votos; serviu ou serve ainda como “lavanderia” de dinheiro nas campanhas - fato que a torna tão corrupta - quanto ao pobre e ignorante eleitor, que vende seu voto, ou ao ambicioso e festejado “eleito”, que os compra para ter assento no Poder Legislativo ou Executivo.
 
Teorias de conspirações evidenciam o desejo do Poder Judiciário acumular o Poder Executivo, até as eleições de 2018. É claro que ninguém acredita... Mas, após a lista de Janot, o destino do Governo Temer está nas mãos do Ministro Presidente do TSE Gilmar Mendes. Se a chapa Dilma e Temer for cassada, por abuso de poder econômico, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira estarão impedidos de assumirem, por terem sido denunciados no “pacotaço” de despedida do Procurador Rodrigo Janot. O Relator, Ministro Luiz Edson Fachin ainda não se pronunciou, sobre a possibilidade de aceitar ou não todas as denúncias. Todavia, a pressão da mídia – em seus noticiosos e comentários – já considera todos os denunciados como réus.
 
As “cortinas de fumaças” criadas a partir da pauta do Congresso que votará temas polêmicos sobre reforma da Previdência, limite ou teto dos gastos públicos; leis trabalhistas e novas regras eleitorais para pleito de 2018 irá tirar do “foco”, a lista de Janot. Num momento oportuno destas votações, surgirá o espírito corporativo do Parlamento, que aprovará – mesmo com sobressaltos da mídia - anistia do caixa 2, aliviando o peso da “canetada” de Rodrigo Janot.
 
*Botar o chocalho no gato – fábula da sabedoria popular, sobre uma ratazana que estava fazendo um grande estrago num armazém. O desesperado pôs um gato para espantar os ratos. Todos os dias, o gato engolia um ou dois. A ratazana assustada resolveu se reunir para resolver o problema. Depois de longa discussão, um dos ratos sugeriu colocar um chocalho no gato. Assim, saberiam seus passos. Mas, todos perguntaram quem vai colocar o chocalho? Não apareceu o herói. A solução foi o “elemento surpresa”. Todos partiram de todos os pontos, e pularam em cima do gato. O gato correu... 
 
Júnior Gurgel – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa."


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