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Operação Lava Jato: Exageros - por Júnior Gurgel

Da redação (Justiça em Foco), 20/04/2017. - quinta, 20 de abril de 2017
 

por Júnior Gurgel

A mega delação da Odebrecht – algo considerado pela mídia e Procuradoria Geral da República como à mãe de todas as bombas (MOAB GBU-43) – analogia a demonstração recente de poder destrutivo dos Estados Unidos no Afeganistão, “operações” que não passaram de exageros, distanciando-se de alcançarem resultados esperados ou alvo desejado. Uma bomba que custa milhões de dólares para o contribuinte norte-americano, matou entre 26 a 60 guerrilheiros provocando baixas inexpressivas num exército hoje composto por dezenas de milhares de fanáticos. A nossa bomba doméstica “Odebrecht” foi um “festim”, apesar da imensa relação de políticos – principalmente sem mandatos - que tiveram suas investigações autorizadas e distribuídas pelo Ministro Edson Fachin para outras instâncias. Pelo que percebemos os acusados finalmente relaxaram. O rito processual evidencia “via procrastinatória”, criado pela própria Justiça, cujo roteiro é um vai e vem sem fim.  O Ministro Fachin devolveu a lista à Procuradoria, para que examinasse e iniciasse investigações (?). O Procurador vai devolver ao Ministro Fachin (sem data prevista) esta lista – passiva de alterações - para este devolver mais uma vez ao Procurador, e somente aí é que se instauram os inquéritos. Depois de concluídos, o Procurador Geral ainda vai decidir quem denunciará. Quando fizer a denúncia, cabe ainda ao Ministro Fachin determinar quem será réu, e só então entram em ação os Advogados. Resumindo: seis anos para uma sentença. Muitos crimes serão prescritos, como o “caixa dois”, por exemplo. 

Alardeado pelas redes de televisão com sensacionalismo estapafúrdio, a Odebrecht e seus delatores - durante seis dias ininterruptos de massacre – deixou o povo atordoado pelo volume de vídeos, fatos; áudios inaudíveis... Confusão que levou o telespectador a entrar em parafuso e perder o interesse, também pela repetitividade. Nas redes sociais e sua rápida perecividade, o assunto se “exauriu”, tornando-se chato e maçante, ganhando uma linha satírica de humor negro. A corrupção no Brasil é um tumor metastático com células cancerígenas em todos os órgãos que compõem seu “corpo social”. As delações continuam “seletivas” tais quais os “vazamentos”. Ainda não foi citado ninguém do Poder Judiciário, Ministério Público; Polícia Federal ou Bancos. Como se movimentam dezenas de bilhões de reais sem a participação dos Bancos? Ricardo Pessoa da UTC chegou a mencionar enfaticamente o nome do Presidente do TCU. Nada? Numa “gravação” – não delação – o filho de Nestor Cerveró “vazou” para TV Globo, áudio de uma conversa com o Senador Delcídio do Amaral. Ouviu-se no diálogo, o Senador com naturalidade que demonstra intimidade, mandar seu assessor ligar para o gabinete do Ministro Fachin (hoje relator da lava-jato), solicitando espaço em sua agenda para ser atendido. Foi o suficiente para ser preso imediatamente, em pleno desempenho de suas funções e gozando dos benefícios do seu foro. Só foi posto em liberdade, depois que fez sua delação, e admitir que “a ligação telefônica” para o Ministro do STF fora encenação de sua parte (sugesta no jargão da malandragem), exibindo poder para conter Cerveró, e o filho de uma delação (?). 

E agora, Dr. Sérgio Moro? Marcelo Odebrecht, seu pai e setenta executivos de sua empresa, mostraram a perversa e criminosa “engenharia” montada para roubar o povo brasileiro. Confirmaram que o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff sabiam de tudo, que só eles tinham o poder de mandar parar, acabar com roubalheira ou punir administrativamente seus Ministros e Servidores Públicos envolvidos. Mas, não o fizeram, o que sugere nas entrelinhas que como toda quadrilha tem um chefe, eles seriam este “chefe”? Não têm foro privilegiado e estão à disposição da Justiça do Paraná. O que impede agora suas prisões? 

Com princípio meio e fim, os exageros da mídia puseram a lava-jato em “xeque” diante da opinião pública. De um lado, todos os líderes das quadrilhas que atuaram em forma de cartel (empreiteiros) foram presos e julgados. E seus comparsas que lideravam o lado “político”? Se prenderem Lula e Dilma, vice-versa ou um dos dois, o STF põe na rua no outro dia - concedendo habeas corpus - direito que em seguida será estendido a todos os investigados a partir deste episódio. Se não prender, o roteiro fica comprometido, e por falta de mandante (como em casos de pistolagem) não haverá logicamente o “mandado” ou pistoleiro. 

Nos quatorze anos de governo petista, Lula e Dilma nomearam oito dos atuais onze Ministros do STF. O Brasil é um país enraizado no cristianismo, onde a gratidão é uma das virtudes comportamentais pregadas por todas as gerações, e de pai para filho. Alguém acha que um destes oito Ministros do STF, negaria um favor, ou gesto de gratidão a Lula ou Dilma? Eles foram escolhidos numa lista tríplice e coroaram com êxito suas carreiras ocupando a mais alta Corte de Justiça do País. Devem sim o favor. Teori Zavascki atendeu um destes pedidos, quando Renato Duque (braço do PT no petrolão) foi levado para o Paraná. Concedeu habeas-corpus e o mandou para casa. Mas, uma semana depois, o Juiz Sérgio Moro mandou prendê-lo novamente. Ficou lá até hoje, e o STF silenciou.    


Semana que vem, o Senado Federal aprovará a lei de Abuso de Autoridade. Como a Lei retroage para beneficiar. Todos os denunciados processarão seus algozes do Ministério Público e Polícia Federal. Os Magistrados também, pelo menos dois, que tiveram suas sentenças reformadas. Cabe ao Senado e somente a ele, investigar o STF e abrir processo de impeachment contra Ministros do STF, STJ e TSE. Até o final do ano, pelo andar da carruagem, o jogo estará empatado. E o Juiz Sérgio Moro? Qual será seu destino? O mesmo de Joaquim Barbosa, após o mensalão?  

 

 

Júnior Gurgel – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa.