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Para Gurgel, Palocci deixa claro que Lava Jato investiga “bijuteria”. Os bancos que têm o Ouro

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Sábado, Dia 22 de Abril de 2017

 
Para o jornalista e Memorialista político Júnior Gurgel, Palocci deixa claro que Lava Jato investiga “bijuteria”. Os bancos que têm o Ouro. 
 
Ele lembrou que alguém do Congresso falou em fazer uma CPI sobre as atividades do HSBC no Brasil. O HSBC é considerado contraventor de baixa periculosidade. Antes que o assunto prosperasse, a grande mídia “sufocou”. A instituição fechou suas portas no Brasil e foi embora, temendo “queimar” sua reputação nos grandes mercados (Zona do Euro e Wall Street), por conta de seus clientes e “sócios” investidores tupiniquins. Passou seus ativos para um “cartel” que aí está.
 
Na leitura de Júnior Gurgel, os relatos da Lava-Jato já se exauriram. Doravante, esclarecerão apenas detalhes de como se processou a “química”, para evitar os órgãos de fiscalização como, por exemplo, o “perfeito” COAFI e Receita Federal. A divulgação pode até se ampliar, com mais nomes, como faz a Rede Globo em suas telenovelas, após constatar que audiência ultrapassou os 40 pontos.  
 
Confira:
 
“QUEM ROUBA NOSSO OURO
 
por Júnior Gurgel
 
Quinta-feira 20/04/2017 o ex-ministro Antônio Palocci, que compôs as equipes da era petista nos Governos Lula e Dilma, prestando depoimento a Justiça Federal do Paraná, negou que tivesse se metido na pilhagem da “bijuteria” que envolve o Congresso Nacional, Presidência da República e sua estatal Petrobras. Considerou que caixa dois sempre existiu nas campanhas que participou; que não seria ridículo em repetir que “todas as doações foram legais...” O chavão do PT e demais legendas metidas com delitos na Legislação eleitoral. Contudo, no final de sua fala, se pôs a disposição em colaborar “para que o Brasil encontre caminhos melhores”, sugerindo que sabe quem realmente fez grandes negócios. Fornecerá nomes, endereços e datas.
 
Talvez poucos tenham entendido seu “recado”. Será que o Juiz Sérgio Moro alcançou? Provavelmente sim, pelo fato de ter estreado na Magistratura, ocasião das investigações do BANESTADO, operação que desviou valores astronômicos estimados na época entre 30 e 50 bilhões de dólares - guardando as devidas proporções - colossal montanha de dinheiro que ainda supera os números de hoje da Odebrecht e de todo cartel por ela encabeçado. O “esquema” BANESTADO funcionou entre 1996 e 1999. Sonegação fiscal; lavagem de dinheiro; evasão de divisas; propinas; sobras de campanha (?)... Fatos que levaram a “austera” família Bornhausen, através de seu líder ex-governador e Senador que presidiu o PFL, Jorge, ser identificado como titular de uma conta com saldo de 5 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Antes de ser investigado, deixou a vida pública, e com ele, se retiraram todos os políticos infiltrados pela FEBRABAM, associação esdrúxula que corrói a economia brasileira. Abortaram CPI, grande mídia nacional não deu destaque; jogaram a culpa só nos doleiros, que pararam nas garras da Justiça. Para os Setúbal, Bornhausen e outras famílias Mineiras e Paulistas que compunham o “clube dos banqueiros”, nada ocorreu.
 
Os relatos da Lava-Jato já se exauriram. Doravante, esclarecerão apenas detalhes de como se processou a “química”, para evitar os órgãos de fiscalização como, por exemplo, o “perfeito” COAFI e Receita Federal. A divulgação pode até se ampliar, com mais nomes, como faz a Rede Globo em suas telenovelas, após constatar que a audiência ultrapassou os 40 pontos. “Esticam” o número de capítulos, para segurar o telespectador. A mídia tem alimentado a ansiedade popular, que espera mais delações, com mais nomes de políticos envolvidos ou “repicar”, velhas figuras viciadas num ato contínuo de delinquência contumaz, transgredindo a Legislação Eleitoral.
 
Como frisou, o patrono da corrupção pós-governos Militares, Emílio Odebrecht, o “esquema” começou há trinta anos, a partir da instalação do processo da “redemocratização” no Brasil. Toda classe política hoje, com ou sem mandato, utilizou destes mecanismos para chegar ao poder. O pior é que o povo sabe, e finge que se “choca” quando vê nomes de líderes que eles “mitificaram”, na lista de infratores.   
 
Ao consideramos “bijuteria” tudo que a Lava-Jato identificou como o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, bloqueando e recuperando dezenas de bilhões de reais - ativos que estavam “guardados” para serem utilizados nos futuros projetos eleitoreiros – são valores (percentuais) oriundos do Orçamento Geral da União. Se somados todos estes desvios dos últimos trinta anos, o montante não atinge sequer 10% do PIB do ano passado, que alcançou 6,1 bilhões de reais ou cerca de 2,3 bilhões de dólares (valores aproximados pela variação cambial). Os referidos 10% do PIB seria 600 bilhões de reais.
 
Quem leu alguns de nossos artigos neste espaço, deve ter percebido a insistência sobre a ausência dos Bancos, Poder Judiciário; Ministério Público e Polícia Federal, nas delações premiadas. Com relação aos Bancos, basta questionar como se movimentam bilhões de reais senão através deles? Como se transfere dinheiro para paraísos fiscais, sem a participação efetiva e criminosa dos Bancos? Os delatores falam das contas abertas no exterior, e dos depósitos e transferências. Quais os Bancos que fizeram estas operações? Apenas um delator da Odebrecht, revelou que uma funcionária do Banco Central recebeu 5 milhões de Euros. O Brasil tinha uma rede gigante de Bancos locais, regionais; interestaduais... Todos foram “engolidos” pela ganância das corporações financeiras “cartelizadas”, compostas por Itaú, Bradesco; Santander; Banco do Brasil e BNDES, acobertados pelo Banco Central do Brasil (independente) e ditador de regras econômicas que o Governo tem que cumprir. O Banco Central arbitra a inflação e a taxa de juros. Controla o meio circulante (dinheiro). Tem o poder de punir ou promover quem desejar: a cada ano aparece um novo “gênio” surgindo um novo Banco de Investimentos. Nunca fez uma auditoria na CVM – Comissão de Valores Mobiliários que controla a Bolsa de Valores, um dos maiores antros de vigaristas e ladrões do planeta, composta por uma gente inescrupulosa que cinicamente surrupiam diariamente as escassas economias do trabalhador brasileiro, na jogatina de resultados viciados, semelhantes aos Cassinos de países do terceiro mundo. 
 
Alguém do Congresso falou em fazer uma CPI sobre as atividades do HSBC no Brasil. O HSBC é considerado contraventor de baixa periculosidade. Antes que o assunto prosperasse, a grande mídia “sufocou”. A instituição fechou suas portas no Brasil e foi embora, temendo “queimar” sua reputação nos grandes mercados (Zona do Euro e Wall Street), por conta de seus clientes e “sócios” investidores tupiniquins. Passou seus ativos para um “cartel” que aí está.
 
O Brasil deve hoje 3,2 trilhões de dólares (internos e externos). Só de juros, arbitrados pelo Conselho Monetário Nacional em sintonia com o Banco Central e seus cúmplices internacionais (taxa selic), o contribuinte brasileiro pagou, no ano passado (2016), 1,338 trilhões de reais, correspondente a 43% do nosso PIB. Praticamente metade de tudo que produzimos e arrecadamos, foi para as mãos dos verdadeiros insaciáveis ladrões que roubaram, roubam e continuarão roubando nossas joias preciosas, saqueando o verdadeiro tesouro da nação. Se somarem hoje a bijuteria - todas as propinas e caixas dois de todas as campanhas de 1986 até os dias de hoje dos trinta anos que Emílio Odebrecht se referiu – não representará metade dos juros e serviços da dívida que serão pagos neste ano (2017). Desembolsaremos 1,4 trilhões de reais. Pagamos aos especuladores, terceiro maior juros do mundo, perdendo apenas para falida Grécia e o Líbano, em estado de guerra.
 
Júnior Gurgel – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa." 

 

 

 

 

 

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Fonte: Da redação (Justiça em Foco), 22/04/2017.
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