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Jornalista defende recriação da CPMF e diz que reforma da previdência deve ficar para depois

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Quinta-Feira, Dia 18 de Maio de 2017

Para o Jornalista Júnior Gurgel, a única saída para o Brasil é a criação de um imposto semelhante a CPMF, capaz de recuperar com rapidez a escassez de caixa do Governo Federal. 
 
Argumenta o Jornalista que com uma alíquota de 0,40, a população sequer percebe, pois paga bem mais que isto nos “pacotes de serviços” cobrados pelos Bancos como taxas de manutenções da conta-corrente, que custa no mínimo 32 reais nos Bancos Públicos. 
 
O povo nunca protestou nem questionou. Falta a coragem e ousadia no Presidente Temer, em repetir o gesto salvador da nação – fim da hiperinflação – ato do ex-presidente Itamar Franco quando criou o Real, se constituindo na maior distribuição de rendas do país, no início deste século, escreveu Gurgel.    
 
Confira a íntegra do artigo:
 
ACORDA PRESIDENTE! - por Júnior Gurgel 
 
Na última sexta-feira (12.05.2017), completou um ano que a Presidenta Dilma Rousseff foi impedida de governar o país, pelo Congresso Nacional. Seu impeachment não se acudiu de um processo de corrupção, escândalos que desqualificasse sua gestão, ou ato de imoralidade que a tornar-se culpada, culminando em sua queda. Improbidade pelas “pedaladas fiscais”? Só entendeu este “monstrengo” jurídico-fiscal foi quem as criou (TCU). Longos depoimentos técnicos e enfadonhos de testemunhas, ouvidas pela Comissão do Impeachment, em nada ajudaram o povão a entender quais “mecanismos pecaminosos” foram perpetrados contra a nação.  Entretanto, compreenderam, ao seu modo (povo) que tudo se resumia em falta de competência da Presidenta no convívio com a Câmara dos Deputados. Egocêntrica e quebrando “compromissos”, talvez por ser “ateia”, se recusou em aprender a oração de São Francisco, rezada em todos os Parlamentos do Brasil: “é dando que se recebe”. Cinco anos como Presidenta e ninguém se lembra dela, nem nunca se viu até o presente movimento “volta Dilma”. Já figura na galeria dos mais “esquecidos”, ao lado do “insosso” Eurico Gaspar Dutra (1946/1951).
 
A esperança do povo se voltou para o vice-presidente Michel Temer – no uso da caneta já por um ano - cientes que com a saída de Dilma, o PMDB “destravaria” o Congresso, aliando-se ao PSDB e DEM; aceleraria a economia e faria a “despetização” do governo central. Presidente Temer ainda não “despetizou” o Brasil?
 
Ex-Presidente Juscelino Kubitschek - após “manobras isolacionistas” do PSD Mineiro, fenômeno conhecido como “Cristianização”, que o levou a Presidência da República (1955), chegou a sugerir um slogan para sua campanha em um discurso: “Reconstruiremos o Brasil, com sangue, suor e lágrimas”. Parafraseando o apelo lançado por Churchill na segunda guerra, evitando o armistício desejado pela Coroa Inglesa com a Alemanha Nazista. Seu amigo José Maria Alkimim o salvou, alegando que o brasileiro é um eterno esperançoso. Que se vendesse a esperança, jamais se exigisse sacrifícios. O slogan foi cinquenta anos em cinco. Kubitschek com 35% dos votos derrotou com aperto Juarez Távora (30,27%) e Adhemar de Barros com 25,77%.
 
Utilizando como bússola, expectativas de um futuro próspero, semelhante aos vividos nos dias de hoje por Chilenos e Peruanos – resistentes ao movimento “bolivariano” – enraizados no populismo demagógico, o povo brasileiro ainda espera propostas ousadas e alvissareiras do governo de coalizão protagonizado pelo PMDB. Não se pode cobrar de um povo - literalmente descrente da classe política - mais sacrifícios, na premissa de melhorias, após as reformas trabalhistas e da previdência. Temer veio para tirar tudo - se é que ainda reste algo - sem dá nada em troca?
 
Comentam muito, que não existe a “bala de prata”, para matar o mostro da depressão econômica que ora vive o país, camuflada como “recessão”. Existe sim, e o povo espera que o Presidente Michel Temer use-a. Por razões obvias, valemo-nos sempre da “memória” como forma de persuasão, provando que a história – segundo Karl Max - se repete em forma de espiral.
 
A inflação, mazela enraizada no Brasil através da correção monetária, que indexava toda a economia, tornou-se um problema sem solução. Sarney tentou com o Plano Cruzado, não funcionou. Outros planos como “Bresser” e “Verão” foram testados sem resultados. Veio Collor de Melo e o sequestro da poupança. Alegou que era a última bala para matar o tigre. Faliu seu plano e a “hemorragia” levou as poucas reservas restantes na nossa “anêmica” economia de mercado. O país ficou em “coma”.
 
Collor foi impedido e assumiu seu vice Itamar Franco, que num ato de ousadia, acabou em definitivo com uma colônia de “parasitas” que nos atrofiou uma década, nos levando a perder o bonde de história dos países emergentes. Ninguém acreditava mais em “planos econômicos” ou “milagreiros”. Uma equipe econômica – trabalhando isolada do Ministério da Fazenda - comandada por Pérsio Arida, ao lado de Andre Lara Rezende, Gustavo Franco; Pedro Malan; Edmar Bacha e Winston Fritsch criaram a URV (Unidade de Valor Real), para acabar com a indexação. Ideia genial e executada com êxito pelo Ministro Rubens Ricupero. O Presidente Itamar Franco (injustiçado historicamente), enviou para o Congresso Medida Provisória número 434, dispondo sobre a criação da URV (27/02/1994). Como o ano era eleitoral, os “leilões” das Casas Legislativas não deram à mínima. Todos corriam atrás de outros temas (lobby) das grandes empresas e liberações de emendas. Vencido os 60 dias - prazo máximo para que o Congresso apreciasse a matéria se tornasse lei - foi reeditada sob o número 457 por mais 60 dias. Nada do Congresso se manifestar sobre o tema.
 
Novamente refeita e já criando a moeda (Real) com sua paridade ao dólar, veio a MP 482. Transformou-se na Lei 8.880 (talvez por decurso de prazo). Somente em 1996, decorridos dois anos de sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso Presidente - com um ano no mandato – depois de um apelo feito em cadeia nacional de rádio e televisão foi que a Emenda Constitucional número 10, teve sua aprovação pelo Congresso e criou-se o FSE – Fundo Social de Emergência, garantindo oficialmente a moeda e o programa do Plano Real. Se fossem esperar pelo Legislativo, jamais teríamos acabado à hiperinflação.
 
O Governo Temer precisa de caixa, e tem pressa em resolver seu déficit, por extensão também os dos Estados e Municípios. Não é com a reforma da previdência (corte de gastos) que ele levantará recursos suficientes em curto prazo. Tem que criar um “imposto salvador”, nos moldes da CPMF, que atinja principalmente os Bancos, verdadeiros entesouradores que cortam o fluxo de investimentos em nossa economia. Com uma alíquota mínima de 0,40%, diariamente o Governo tem dinheiro para melhorar os serviços de saúde, segurança e educação, além de criar capacidade de investir em programas geradores de emprego e rendas. O povo? Nem percebe.
 
Qualquer conta corrente em qualquer banco hoje, tem um custo de manutenção, no mínimo - R$ 32,00 mês. Alguém já questionou sequer a legalidade deste furto? Um imposto tipo CPMF só atinge os Bancos, Bolsa de Valores e setores de importação e exportação, que em um ano, movimentaram mais de 300 bilhões de dólares. Imaginem os Bancos e a Bolsa de Valores? Coragem Presidente! A reforma da previdência? Toque sem pressa.
 
Júnior Gurgel – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa.”


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