Justiça em Foco

O sacrifício de animais em espetáculos - duelo sangrento da corrida de touros - por Danielle Mariel Heil

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Segunda-Feira, Dia 03 de Julho de 2017

por Danielle Mariel Heil 
 
O breve artigo trata da utilização de animais para eventos tradicionais ocorridos em solo espanhol.
 
A partir deste estudo, será possível verificar que o uso de animais em espetáculos e festas populares para fins de entretenimento pode até possuir respaldo antropológico, contudo, não possui qualquer proteção jurídica.
 
Assim, cabe ressaltar desde o início que a pesquisa adota o entendimento de que qualquer forma de privação de animais para benefício humano é inaceitável e deve ser questionada, seja para ciência, entretenimento, rituais e vestuário, tais como qualquer forma de exploração humana.
 
A participação de animais em espetáculos é um assunto polêmico e que deve ser inevitavelmente objeto de reflexão, pois “[…] en este tipo de sacrificio hacen colisionar bienes jurídicos protegidos, como son la libertad y el bienestar animal”[1].
 
Na mesma linha de raciocínio alerta Pascual[2] “[…] ése es un terreno sensible, donde chocan las convicciones éticas de una buena parte, cada vez mayor, de la población europea y las creencias de dos comunidades religiosas minoritárias en nuestro continente especialmente expuestas a discriminación”.
 
Na visão de Monguió, Rodríguez e Gonzáles[3], a matéria é controvertida, pois “[…] los daños producidos a los animales enfrenta frontalmente a la costumbre hecha tradición con los principios de protección y bienestar animal.”
 
Em outras palavras, os cidadãos e o sistema jurídico espanhol se deparam com tradições e costumes muito populares, os quais colidem diretamente com convicções éticas e o princípio do bem estar animal.
 
Na Espanha, “[…] pode encontrarse los primeros atisbos del movimiento protector de los animales en la década de los años veinte del pasado siglo”[4].
 
Sobre as normas espanholas que garantem proteção aos animais, tem-se que:
 
[…] proceden del Consejo de Europa a través de los cinco Convenios relativos a la protección de animales durante el transporte internacional em 1968, a la protección de animales de renta em 1976, a la protección de animales en el momento de sacrificio en 1979, a la protección de animales vertebrados empleados para experimentación y otros fines científicos en 1986, y, por último, a la protección de animales de companía em 1987[5].
 
No mais, cumpre registrar sobre “[…] la Resolución de 1994 del Parlamento Europeo, sobre el bienestar animal y el Protocolo número 33 de bienestar animal anejo al Tratado de Ámsterdam[6].”
 
Na Espanha, “[…] el artículo 632.2 del Código Penal, que supuso la primera previsión penal de protección directa a los animales, ha mantenido su redacción original desde la aprobación del texto penal en 1995[7].”
 
Nesse contexto, é possível verificar a existência de diversas normas sobre proteção dos animais no território espanhol “[…] desde el año 1988, se han aprobado un total de diecisiete leyes autonómicas cuyo objeto es la protección de los animales que pueden en gran parte considerarse sucesoras de la Real Orden de 1929, de 31 de julio[8].”
 
Tais leis, na visão de Monguió, Rodríguez e Gonzáles[9] possuem caráter geral e são aplicadas a todos os animais, sem qualquer exceção:
 
“[…] son aplicables a todos los animales que viven en cautividad, con independencia de la función o tarea que desempeñen: compañía, renta, abasto, trabajo, espectáculo, etcétera. Sin embargo, no todas las leyes contienen una regulación pormenorizada de cada uno de los sectores como es el caso de la experimentación, la renta o el abasto. Esta tarea […] ha sido abarcada esencialmente por directivas comunitarias, que han sido transpuestas a nuestro ordenamiento a través, geralmente, de reales decretos.
 
Insta destacar que o Parlamento Europeu recomendou aos Estados membros da União Européia (incluindo a Espanha) diversos princípios a serem cumpridos no que tangue a proteção aos animais e a proibição de crueldade:
 
Por ello recomendaba a todos los Estados miembros y a la propria Comisión a que las reformas y normas de nueva creación se adaptasen a los siguientes principios que son resumidos y recogidos de la siguiente manera: […] deben prohibirse las crueldades públicas y privadas cometidas con animales al ampato del hábito o de la costumbre; deben prohibirse todas las modalidades deportivas en las que se provoquen duelos sangrientos entre animales; El reglamento taurino debe modificarse para convertir las corridas de toros en una competición no sangrienta en la que el hombre y el animal midan sus respectivas destrezas, de modo que se mantengan, en una forma moderna, las tradiciones en que las corridas se basan; debe suspenderse la utilización de picadores en las corridas de toros; Las pruebas de habilidad en las que la muerte de los animales participantes, sin constituir el objeto de las mismas, entre, no obstante, en los cálculos de probalidad deben sustituirse por modalidades no sangrientas; Las crueldades innecesarias cometidas con animales en el contexto de competiciones deportivas deben evitarse mediante las disposiciones pertinentes[10].
 
Em que pese tais recomendações, são inúmeras as festividades e espetáculos realizados em solo espanhol com a participação de animais, tendo como consequência graves danos ou até mesmo a morte do animal, especialmente os touros nas denominadas “corridas de touro”[11].
 
Tais eventos possuem como objeto central “[…] el escárnio de un animal como centro de la diversión”[12].
 
Para exemplificar os costumes espanhóis na realização de espetáculos envolvendo touros, registram-se algumas modalidades de eventos:
 
[…] el toro embolado de Villanueva de Vera o el Toro de San Juan (Cáceres)[13], la matanza de Guijuelo[14], la suelta del gorrino en Meco[15], la fiesta del toro de Veja[16], los toros engosaos[17] o las peleas de gallos en Canarias[18]; todo ello sin entrar en la fiesta nacional[19].
 
Diante da pressão de grupos em prol dos animais, alguns espetáculos com o passar do tempo foram suspensos do calendário espanhol, e outros permanecem ocorrendo, porém, sem a presença dos animais, como é o caso da cabra Manganeses “[…] la cual era arrojada desde el campanário del pueblo para que fuera recogida por los mozos del pueblo con una lona […] en el año 2000 se produjese un acuerdo entre pueblo y el equipo de Gobierno Municipal para que se arroje una cabra previamente disecada.”[20].
 
O mesmo se pode dizer das festas de Nalda “[…] en la Rioja, donde caballeros arrancaban las cabezas de pollos vivos[21]. En los últimos años los animales han sido sustituidos por pollos de plástico[22].”
 
Nesse contexto, é oportuno ressaltar o entendimento de Silveira[23], que defende a herança cultural, de forma que esta não se deve postar em termos de restrição de direitos.
 
A proibição da participação de animais em espetáculos está expressamente prevista “[…] en el artículo 6 de la Ley Cataluña 22/2003, que prohíbe tajantemente la participación de animales en espectáculos cuando puedan ocasionarles sufrimiento, aunque por outro lado se excluye de la prohibición la fiesta de los toros y las fiestas de los novillos sin muerte del animal en las fechas y localidades donde sea tradicional[24]”.
 
Importante ressaltar que na disposição acima há exceção da proibição para a realização dos espetáculos de touros, desde que não ocorra a morte do animal, o que na prática, não se concretiza, pois a maioria dos espetáculos termina com a morte do touro de forma cruel e sangrenta[25].
 
Em virtude do argumento da tradição e da cultura, existem múltiplas exceções que autorizam o uso de animais para fins de entretenimento nos espetáculos, e com isso, se contrariam os princípios mais básicos do bem-estar animal[26].
 
Registram-se as anotações de Monguió, Rodríguez e González[27] acerca da proteção normativa ao princípio do bem-estar a todos os animais:
 
Al no calificar el legislador a los animales no domésticos y utilizar un término infinito como es cualesquiera, en principio cabría incluir a todo organismo viviente calificable como animal, vertebrados o invertebrados. Elefantes, delfines, serpientes, moscas, etc., estarían todos incluidos y el trato cruel de cualquiera de ellos constituiria una falta.
 
Por sua vez, Catana[28], enfrenta a questão da proteção às tradições populares considerando as concepções éticas envolvidas:
 
Observando uma concepção biocêntrica, que não distingue os direitos humanos e direitos animais, os animais como seres integrantes da natureza, assim como o homem, deveriam ter o seu direito à vida preservado, mesmo sob o pretexto de proteção da religião ou da cultura do homem, uma vez que seu direito seria intrínseco e independente da finalidade de se atender as necessidades ou a cultura humana, pois o homem não é o centro do universo ou senhor absoluto do ambiente.
 
Atualmente, se observa uma tendência e evolução jurídica de humanização e extinção dos espetáculos envolvendo os animais na Espanha[29], como expressa a doutrina: “[…] la mayoría de las exposiciones de motivos aclaran que la intención de las leyes es hacer desaparecer progresivamente y de una forma natural este tipo de manifestaciones populares[30]”.
 
Exemplo claro de tal evolução é o regramento da Comunidade Valenciana, a qual considera como muito grave o sacrifício de animais com sofrimentos físicos ou psíquicos, sem necessidade ou causa justificada[31].
 
Ademais, “[…] en Cataluña[32] se prohíbe abrir nuevas plazas de toros y en Canarias se impide su expansión a través de mecanismos normativos tales como prohibir el fomento de estos espectáculos por las Administraciones Públicas[33]”.
 
A regra geral, portanto, em solo espanhol, é de proibição de espetáculos que envolvam animais quando há possibilidade de ocorrerem danos físicos, sofrimento psíquico, ou submetê-los a situações cruéis.[34]
 
Assim, a proibição da crueldade contra os animais está assegurada no ordenamento jurídico espanhol, conforme se infere das palavras de Monguió, Rodríguez e González: “El maltrato está contemplado como una infracción grave o muy grave en todas las Comunidades Autónomas y las sanciones pueden variar desde 150 a 6.000 euros para las primeiras y de 2.000 a 30.000 euros para las segundas[35]”.
 
Deste modo, “[…] todas las Comunidades han tipificado el maltrato con la excepción de Baleares, de los animales generalmente en conjunción con las agresiones físicas que no son más que una modalidad de agresión[36] […][37]”
 
Dessa forma, a afirmação de que a proteção normativa da religião ou das tradições populares no Brasil e Espanha, respectivamente, permite o sacrifício de animais em rituais e espetáculos, não merece qualquer respaldo.
 
A liberdade de práticas culturais, tradicionais e religiosas não é absoluta, pois tal exercício não pode afrontar princípios e regras já impostos pelo legislador, como é o caso da legislação brasileira e espanhola.
 
Por intermédio das práticas de sacrifício de animais em rituais religiosos e espetáculos populares (corrida de touros), o animal é privado de viver para suas próprias razões. O que se pretende demonstrar através deste artigo, não é o combate aos espetáculos culturais e os rituais religiosos, mas o ato do uso abusivo e indiscriminado de animais na prática de tais festividades.
 
É imperioso perceber que qualquer direito, individual ou coletivo, não está desvinculado da ordem democrática. Pelo contrário, o exercício do direito deve estar em plena sintonia com os anseios da sociedade[38]. 
 
A ética em favor dos animais
 
Para Castelo[39], a ética ambiental é uma maneira de lidar com a introdução da temática não-humana como uma nova variável da ética.
 
No entendimento do supracitado autor, a ética humana e ambiental consiste em: “[…] un aparato de normas morales que conllevan el principio de respeto por todas las personas como centros de elección autónoma. Sin embargo, lo que caracterizaria a una ética ambiental sería la inclusión de la naturaleza no humana en este ámbito del respeto”[40].
 
Considerando a reiterada realização de práticas em que se tem como objeto principal o sofrimento e matança de animais, tanto em solo brasileiro, quanto espanhol, é notório que a crise ecológica atual possui uma dimensão moral inevitável[41].
 
É através da ética ambiental que se propõe um reordenamento do universo moral humano[42].
 
No mesmo sentido: “[…] la environmental ethics[43] implica precisamente el reconocimiento de relevancia moral a entidades no humanas […][44]”.
 
Em outras palavras, a ética ambiental se baseia no método da analogia, ou seja, objetiva tratar de forma respeitosa o ser não humano, da mesma forma como os humanos são e merecem ser tratados[45]. Portanto, a analogia em questão busca converter a ética exclusivamente humana, em ética ambiental.
 
Deste modo, vale representar a analogia pretendida com a concretização da ética ambiental, através do exemplo: “[…] cuando un perro se muere de hambre es la humanidad la víctima y no el perro”[46].
 
Em Roma, encontra-se pela primeira vez na história da filosofia ocidental, a tese de que a crueldade contra os animais brutaliza o ser humano: “[…] a crueldade, com a qual os animais mortos para alimento são tratados, brutaliza o caráter humano, tornando-o igualmente indiferente ao sofrimento das pessoas e dos animais[47].
 
Assim, desde então foi reconhecido “haver nos animais, analogamente à natureza humana, sentidos, percepção, imaginação e inteligência. Estas habilidades os tornam aptos a alcançarem o que lhes é benéfico e a evitarem o que não é[48]”.
 
Em outras palavras, na visão da referida autora, a moral não se restringe ao conhecimento de como se deve agir, mas também implica em um conhecimento sobre o que é bom sentir[49].
 
A nossa atitude para com os animais, traduz a forma de ser de cada humano, ou seja, o nosso comportamento com os mais frágeis demonstra nosso compromisso moral e os valores de cuidado, justiça e respeito[50].
 
De igual forma sustenta Castelo[51] “[…] mediante la irracionalidad del animal se demuestra la dignidad del hombre”.
 
Sobre o reconhecimento do status moral dos animais, já foram consolidados vários estudos que justificam a consideração moral e certos direitos aos animais não humanos, dentre os quais os modelos de Peter Singer, Tom Regan, Gary Francione, Stevem Wise, Lawrence Johnson, Carlos Naconecy e Paul Taylor[52].
 
Baseando-se na crítica ao antropocentrismo, o filósofo Peter Singer propôs, na década de 70, uma ética para nortear as ações humanas: “[…] para a perspectiva ética senciocêntrica, o agente moral não pode ter dois pesos e duas medidas para lidar com uma mesma questão: a da dor e sofrimento de seres sencientes[53]”.
 
Nesse contexto, Singer[54] defende: “Los intereses de cualquier ser afectado por una acción deben ser tenidos en cuenta y recibir la misma valoración que los intereses de cualquier outro ser”.
 
Segundo o princípio de igualdade que defende Singer[55], é necessário tratar de igual maneira os interesses dos humanos e não humanos:
 
Sin embargo, para mostrar algún interés, es imprescindible la capacidad de sufrimiento y de disfrute. Por lo tanto, esta capacidad de sufrir y experimentar alegria y felicidad se nos revela como la característica vital que establece que um individuo tiene derecho a una igual consideración. Es decir, que un ser que no sea capaz de sentir no puede tener ningún interés. Pero cuando un ser sufre, hay que tomar en consideración esse sufrimiento, pues no existe justificación moral para no hacerlo. Así, la sensibilidad se mostraria como la única frontera posible de nuestra consideración por los intereses de los demás, de forma que elegir la inteligencia o la racionalidad serían tan arbitrario como basarse en el color de la piel.
 
O aludido autor entende que o que torna os seres não humanos como aptos a adquirir direitos, como o direito à vida, é a capacidade dos mesmos em sentir, sofrer, ter consciência de si mesmos, exemplificando tal situação, cita o chimpanzé[56].
 
Deste modo, a defesa dos animais basicamente se fundamenta no argumento de que os não humanos devem ser objeto de consideração moral por serem seres que sofrem e gozam.[57]
 
Para Felipe[58] a senciência torna-se o parâmetro da igualdade moral que define a constituição dos seres dignos de respeito.
 
O ponto de partida dos direitos dos animais é a senciência, pois conforme aduz Singer[59] “[…] se os animais sofrem, são dignos de consideração moral pelos seres humanos.”
 
O ser senciente, como afirma Sesma[60], “[…] tiene un interés en preservar su vida, pues el mero hecho de tener capacidad para sentir es un medio encaminado a mantener una existencia continuada”.
 
Restando superada a questão de que os animais são efetivamente seres que sentem dor, conclui Singer[61], “[…] un dolor causado a un animal sin ninguna razón convincente es igual de rechazable que un dolor de la misma intensidad causado a un ser humano en las mismas circunstancias”.
 
Ademais, Singer[62] pontua sobre o comportamento do ser humano para com as demais espécies de vida:
 
O ser humano comporta-se como “especista” quando entende que se deve atribuir maior peso aos interesses de membros de sua própria espécie quando há um choque entre os seus interesses e os interesses dos que pertencem a outras espécies. Os especistas humanos não admitem que a dor é tão má quando sentida por porcos ou ratos como quando são os seres humanos que a sentem.
 
No tocante ao especismo, Sesma[63] destaca que “[…] las reflexiones han concluído que, en realidad se trata de una forma de discriminación: la discriminación por especie o especismo. Dado que se discrimina a todos aquellos individuos que no pertenecen a la especie humana”.
 
Ainda acerca da temática envolvendo a atitude especista do ser humano, Argolo[64] preceitua:
 
[…] consiste em considerar que os fatores biológicos da espécie humana têm um valor moral maior do que das outras, razão pela qual a vida e os interesses do individuo pertencentes a ela teriam mais valor do que a vida e os interesses dos outros seres. O especismo reproduz um pensamento construído por uma ideologia, antropocêntrica, que se fundamenta na ideia de que o ser humano é superior, elegendo as características do uso da razão e da espiritualidade como critérios de exclusão dos animais não humanos da esfera moral.
 
O referido autor ainda esclarece que ao se querer atribuir aos animais não humanos a qualidade de sujeito de direitos, não se pretende que eles tenham todos os direitos estabelecidos no ordenamento jurídico, apenas defender a sua titularidade de direitos fundamentais básicos[65].
 
Um dos grandes defensores dos direitos animais é Tom Regan[66], filósofo norte-americano, cujo trabalho, The Case for Animal Rights, pode ser apontado como a contribuição filosófica mais importante no sentido de oferecer uma teoria moral que assegure direitos morais também para os animais:
 
[…] os animais têm direitos por que os humanos têm direitos. Ele assevera que uma teoria moral adequada para seres humanos deve incluir direitos morais, onde se incluiriam os animais, de sorte que não considerar estes direitos os indivíduos possuiriam valor apenas pelos benefícios que podem propiciar para outrem, ignorando-se o valor inerente de um indivíduo. Dessa forma, sua teoria tece objeção a teorias como o contratualismo e o utilitarismo, considerando que estas produzem resultados morais inaceitáveis não só para os animais, mas também para seres humanos[67].
 
Regan[68] sustenta que “[…] hay que respetar, como poseedores de derechos, a todos los seres vivos que poseen un valor inherente”.
 
O tempo, todavia, serviu para mostrar a equivocada postura em relação aos animais, seres sensíveis como todas as criaturas vivas. Sabe-se hoje que a diferença entre um homem e um animal é apenas de grau, não de essência. Conforme os ensinamentos de Prada[69], “[…] o sistema límbico (responsável pelos sentimentos) é exatamente igual em todos os mamíferos”.
 
Com relação aos critérios de avaliação da ocorrência de dor e/ou sofrimento em animais, importante destacar:
 
[…] a organização morfológica e funcional dos animais, particularmente os mamíferos, segue o mesmo modelo: estruturas nervosas que conduzem os estímulos nociceptivos (causadores de dor) até determinadas regiões do cérebro, ocasionando o sofrimento. […] acima de todos os aspectos, sejam científicos, econômicos ou legais, há que ser levada em conta a ética, única opção compatível com a dignidade que pretendemos merecer, como seres humanos[70].
 
Diante da inequívoca certeza que os animais são dotados de sistema nervoso, o que os torna, portanto, vulneráveis a estímulos dolorosos, é forçoso reconhecer que os humanos, na condição de agentes morais, necessitam garantir o mínimo de respeito na relação com os animais, pois “[…] esto es así porque solo los agentes morales son capaces de violar derechos, y los animales no humanos no son agentes morales”[71].
 
Como fenômenos físicos, o prazer e a dor são facilmente atribuídos a muitos animais, como também é o caso do bem-estar[72].
 
A dificuldade para se constatar o grau de bem estar e sofrimento (seja físico ou psíquico) dos animais, não deve ser impedimento para o reconhecimento de sua relevância moral e importância social[73].
 
Nesse sentido, Felipe[74] enfatiza que “[…] os animais, semelhante a nós animais humanos, são detentores do direito moral que antecede a qualquer ordenamento jurídico, a qualquer direito positivo, possuindo, portanto, o direito fundamental à vida, à integridade física e à liberdade”.
 
Assim, o livre exercício de uma tradição popular não pode se sobrepor ao coletivo.
 
Se determinado sujeito afronta um preceito moral relacionado aos chamados bons costumes da sociedade, matando ou torturando animais, surge a consciência individual ou coletiva a reprovar esse tipo de conduta, mesmo que o fato típico não seja apurado ou punido pela justiça[75].
 
Considerando-se que todos os animais são igualmente dotados de valor inerente, os eventuais conflitos de interesses devem ser dirimidos com base no princípio de razoabilidade e justiça, sem discriminação entre as espécies.
 
Outra importante obra em favor dos animais foi escrito pelo italiano Piero Martinetti, citado por Fernando Levai[76], que rebateu todas as teorias que negavam sentimento, sensibilidade e inteligência a essas criaturas:
 
O animal é dotado tanto de intelecto quanto de consciência e, por isso, o seu sofrimento deve suscitar no homem uma profunda piedade. Não somente a conduta dos animais, mas seus próprios comportamentos, gestos e fisionomia revelam neles a existência de uma vida interior: uma vida talvez diversa e distante da nossa, mas dotada de consciência, de modo que não pode ser reduzida a um simples mecanismo fisiológico.
 
A piedade aos animais, independente de sua condição e do destino a eles imposto pela vontade dos homens, deve nortear a busca do ideal de justiça, baseada no pressuposto de que uma vida não pode ser considerada mais valiosa que a outra.
 
Oportuno concluir com as palavras de Levai[77]:
 
Postas estas considerações todas – biológicas, jurídicas, psicológicas e filosóficas – como admitir que este gatinho que se aninha dengoso sobre os papéis em nossa mesa de trabalho, que o cão companheiro que nos saúda festivamente a cada reencontro, que o pássaro que alça vôo rumo ao infinito, que a vaca que rumina sua solidão, que os porcos e galinhas que seguem resignados para a morte, que a baleia que se perpetua em obscuro canto, que a aranha que arquiteta sua teia ou, então, que essa pequena crisálida que se transforma em borboleta, não possam suscitar nossa compaixão, nosso senso moral e nossa postura ética, enfim, diante do espantoso milagre de suas existências?
 
Em análise filosófica do tema, Moser[78] escreveu que “[…] quando se fala em ética dos animais não se entende que eles tenham obrigação para com os homens, mas que seus direitos exigem as obrigações dos homens para com eles”, justamente em razão dos seres humanos serem sujeitos com capacidade cognitiva e direitos e obrigações positivas.
 
Assim sendo, qualquer pessoa pode agir em defesa dos animais, o que não deixa de ser uma legítima manifestação de cidadania.
 
Ademais, Levai[79] explica porque a ética, a qual se encontra situada acima da moral e do Direito, aponta o caminho para se alcançar a verdadeira justiça e reconhecer nela, sua essência moral.
 
Os deveres humanos de piedade, benevolência e solicitude em relação às demais criaturas vivas, enfim, levam ao reconhecimento de uma modalidade ética que visa à realização do justo e que, talvez, se sobreponha a todas as outras: a ética da vida.
 
Desta feita, conclui-se que não se deve tratar os animais apenas sob a perspectiva ambiental, mas por sua individualidade, como seres sensíveis que podem experimentar emoções, dores e sofrimentos.
 
Para que possa atingir sua realização plena, o Direito e a justiça não devem se ater apenas ao direito positivo, mas considerar igualmente os valores morais e éticos da sociedade e os princípios do direito natural.
 
Superar a indiferença diante do sofrimento dos animais e a aceitação de sua relevância moral, sugere uma transformação radical no caráter e no compromisso com os princípios da justiça, uma vez que “[…] el paso de la visión arrogante del mundo no humano a la visión afectiva posibilita la ampliación de la ética que exigen las circunstancias actuales[80]”.
 
Sesma[81] alerta que está em nossas mãos o mundo que queremos construir, e se vamos eleger um mundo em que prevaleça a dominação, a opressão e a exploração dos outros, humanos e não humanos, ou um mundo em que nossos atos estejam guiados por uma atitude ética de respeito e compaixão por todos aqueles que compartilhamos o planeta.
 
Conclui-se, portanto, que o discurso ético em favor dos animais decorre não apenas dos dispositivos legais, mas dos princípios morais que orientam a conduta humana[82].
 
O debate é intenso e contrapõe tradição cultural, costumes e o direito animal. Contudo, importa ressalvar que não se trata de estigmatizar nenhuma religião ou grupo, mas de avançar na tentativa de livrar os animais de destinos tão indignos e cruéis.
 
Notas e Referências:
 
[1] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. Editorial Bosh, Barcelona, 2008, p. 311.
 
[2] PASCUAL, Doménech G. Bienestar animal contra derechos fundamentales, Ed. Atelier, Barcelona, 2004, p. 53.
 
[3] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 274.
 
[4] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. Editorial Bosh, Barcelona, 2008, p. 20.
 
[5] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 209.
 
[6] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 209.
 
[7] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 196.
 
[8] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 236.
 
[9] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 238.
 
[10] Grifo meu. GIMERÁ, Higuera, J. F. La protección penal de los animales en España. Documentación Jurídica, num. 79, Ministerio de Justicia e Interior, Secretaría General Técnica, Madrid, 1994, P. 34-35.
 
[11] O período de abril a junho em que estive realizando a dupla titulação do Mestrado na Espanha (convênio com a Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI) estive em Madri, Sevilla, Alicante, Valência, Murcia e Granada, locais estes que ofertavam espetáculos com touros nas denominadas “Plaza de Touros”. Quando estive em Barcelona, chamou minha atenção o fato da festas tradicionais não serem mais realizadas naquela localidade, sendo que inclusive a Plaza de Toros se tornou um shopping center.
 
[12] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. Editorial Bosh, Barcelona, 2008, p. 275.
 
[13] El Toro de San Juan se celebra entre el 23 y el 28 de junio en Coria (Cáceres). El toro es soltado por un recinto amurallado de la ciudad, y como si fuere una diana, se le lanzan con unos sopillos alfileres por todo el cuerpo. Al final es el animal es sacrificado de un tiro.
 
[14] Esta tradición consiste en proceder a la matanza de un cerdo en la Plaza del pueblo […] ante las denuncias de los protectores de animales, se ha producido un hecho sin antecedentes en la localidad: se procedió a aturdir al animal antes de su sacrificio  con una descarga eléctrica.
 
[15] La fiesta consiste en soltar a un cerdo, previamente untado con grasa, y los mozos del pueblo lo persiguen hasta que alguno le de caza.
 
[16] Consiste en lancear un astado por los pinares de Tordesillas hasta darle muerte de una forma brutal a través de lanceros a caballo.
 
[17] Son también conocidos como toros enmaromados. A los animales se les sujeta y se les ata los cuernos para ser arrastados por las calles. El más conocido es el de Benavente (Zamora).
 
[18] La Ministra de Medio Ambiente, durante esta legislatura, ha intentado propiciar el debate con el fin de humanizar las corridas, reduciendo la sangre en el ruedo y el maltrato animal, pero esta propuesta ha sido escasamente apoyada, pese a que España tiene cada vez más dificultades para defender las tradiciones taurinas en la Unión Europea
 
[19] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. Editorial Bosh, Barcelona, 2008, p. 276.
 
[20] JAMES, B. Lo que tu debes saber sobre los derechos de los animales. Ed. Lóguez Lector Joven, Salamanca, 1996, p. 131-132.
 
[21] Esta actividad se prohibió en 1929 mediante la Real Orden 241, de 28 de marzo.
 
[22] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 277.
 
[23] SILVEIRA, Renato de Mello Jorge. Aspectos do multiculturalismo e suas implicações no direito penal: o caso brasileiro. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 925, ano 101, p. 206-229, nov. 2012, p. 225.
 
[24] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 277.
 
[25] Não obstante não ter participado de uma corrida de touros no período em que estive na Espanha (justamente por não querer fomentar tal prática de crueldade com os animais), assisti uma transmissão ao vivo na data de 24 de junho de 2017 em Madri. Resumidamente, o animal é provocado incessantemente pelo toureiro com sua bandeira vermelha, e no decorrer do espetáculo são desferidos golpes de espadas no animal, até que em certo momento ele não resiste e cai, oportunidade em que outro homem se aproxima do animal, e com a vitória do toureiro, desfere um golpe mortal na cabeça do animal. O toureiro festeja a “vitória”, e o animal é retirado da praça, com a ajuda de cavalos, deixando um imenso rastro de sangue no chão. Após, o toureiro vai à platéia e dá entrevista, retornando alguns minutos depois ao centro da praça com duas patas do touro nas mãos.
 
[26] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. Editorial Bosh, Barcelona, 2008, p. 285.
 
[27] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 198.
 
[28] CATANA, Thiago Oliveira; AMARAL, Sergio Tibiriçá Liberdade religiosa e seus conflitos. Boletim Jurídico, Uberaba/MG, a. 5, nº 198, out 2006. Disponível em: <http://www.boletimjuridico.com.br/ doutrina/texto.asp?id=1580>. Acesso em: 18 fev. 2017.
 
[29] La Exposición de la Ley Canarias 8/1991 califica estos espectáculos como cruentos.
 
[30] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 278.
 
[31] Tradução livre. MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 302. “[…] la Comunidad Valenciana considera como muy grave el sacrificio de los animales con sufrimientos físicos o psíquicos, sin necesidad o causa justificada (art. 25.3 – Ley 4/1994)”
 
[32] Algunas Comunidades Autónomas han regulado la participación de animales en festejos populares. Este es el caso, entre otras, de Andalucía – Decreto 66/2003, de 11 de marzo, por el que se aprueba el reglamento de festejos taurinos populares y se regulan determinados aspectos de los espectáculos taurinos – Madrid – Decreto 112/1996, de 25 de Julio, por el que se aprueba el reglamento de espectáculos taurinos populares y Comunidad Valenciana – Decreto 24/2007, de 23 de febrero, aprueba el Reglamento de Festejos Taurinos Tradicionales en la Comunidad Valenciada.
 
[33] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. Editorial Bosh, Barcelona, 2008, p. 278-279.
 
[34] Tradução livre. MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 285. “[…] prohibición de espectáculos en que intervengan animales cuando se les pueda provocar daño (físico), sufrimiento (psíquico) o someterlos a situaciones antinaturales […]”.
 
[35] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 248.
 
[36] El caso de Andalucía no contempla la infracción por agresión de animales, quedando subsumida en la correspondiente al maltrato, que exige para su perfección la invalidez o a la muerte en el caso de las infracciones muy graves o que se le cause dolor, sufrimiento o lesiones no invalidantes para las graves. “[…] las infracciones de maltrato, salvo Baleares que no contempla esta infracción como tal, quedan reservadas para acciones que puedan provocar daños tanto físicos como psíquicos a los animales que no sean consecuencia de una agresión y que, sin embargo, sean susceptibles de producir sufrimiento, dolor, lesiones o incluso la muerte, pese a que la Ley Galicia 1/1993 prevé como infracción leve el maltrato a los animales que no les cause dolor o la Ley Cataluña que en mismo sentido califica como infracción leve el maltrato que nos les produzca resultados lesivos. En este sentido, estimamos que tanto una ley como outra se refieren a daños de naturaleza física que conlleven resultados lesivos o dolor.” MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 255.
 
[37] MONGUIÓ, José María Pérez; RODRÍGUEZ, Luis Ramón Ruiz; GONZÁLEZ, Maria Paz Sánchez. Los animales como agentes y víctimas de daños. p. 254.
 
[38] Citação utilizada no capítulo de minha autoria da obra “EU SOU ANIMAL – reflexões jurídicas sobre proteção e respeito aos animais”. Organização de Ana Selma Moreira. Manuscritos Editora: Joinville, 2017, p. 15-43.
 
[39] Tradução livre. CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? Comares: Granada, 1996, p. 07.
 
[40] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? Comares: Granada, 1996, p. 25.
 
[41] Tradução livre. CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? p. 04.
 
[42] Itálico no original. Tradução livre. CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? p. 168.
 
[43] Itálico no original.
 
[44] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? Comares: Granada, 1996, p. 21.
 
[45] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? p. 53.
 
[46] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? p. 114.
 
[47] WALTERS, Kerry S.; PORTMESS, Lisa. Ethical Vegetarianism: From Pythagoras to Peter Singer. State University of New York Press, 1999, p. 24.
 
[48] WALTERS, Kerry S.; PORTMESS, Lisa. Ethical Vegetarianism. p. 24.
 
[49] SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. Ediciones Cátedra, Universitat de Valéncia, Madri, 2017, p. 100. “[…] la moral no se reduce a conocer lo que se debe hacer, sino que implica también un conocimiento sobre lo que es bueno sentir.”
 
[50] Tradução livre. SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. p. 24.
 
[51] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? Comares: Granada, 1996, p. 109.
 
[52] NOGUEIRA, Vânia Márcia Damasceno. Direitos fundamentais dos animais: a construção jurídica de uma titularidade para além dos seres humanos. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2012, p. 49.
 
[53] FELIPE, Sônia T. Antropocentrismo, Senciocentrismo, Ecocentrismo, Biocentrismo. Agência de Notícias de Direitos Animais. São Paulo, 03 set. 2009. Revista Páginas de Filosofia, v. 1, n. 1, jan-jul/2009. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/PF/article/viewFile/864/1168>. Acesso em: 02 mar. 2017.
 
[54] SINGER, Peter. Todos los animales son iguales. Desacralizar la vida humana. Ensayos sobre ética. Tradução de Carmen García-Trevijano, Madri, Cátedra, 2003, p. 112.
 
[55] SINGER, Peter. Todos los animales son iguales. Desacralizar la vida humana. Ensayos sobre ética. p. 113.
 
[56] SINGER, Peter. Ética prática. p. 68.
 
[57] Tradução livre. SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. Ediciones Cátedra, Universitat de Valéncia, Madri, 2017, p. 60.
 
[58] FELIPE, Sônia T. Antropocentrismo, Senciocentrismo, Ecocentrismo, Biocentrismo. Agência de Notícias de Direitos Animais. São Paulo, 03 set. 2009. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/PF/article/viewFile/864/1168>. Acesso em: 02 mar. 2017.
 
[59] SINGER, Peter. Ética prática. São Paulo: Martins Fontes, 2002, p. 67.
 
[60] SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. p. 62.
 
[61] SINGER, Peter. Matar seres humanos y matar animales. Desacralizar la vida humana. Ensayos sobre ética. Tradução de Carmen García-Trevijano, Madri, Cátedra, 2003, p. 149-162.
 
[62] SINGER, Peter. Ética prática. p. 68.
 
[63] SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. Ediciones Cátedra, Universitat de Valéncia, Madri, 2017, p. 49.
 
[64] ARGOLO, Tainá Cima. Animais não humanos encarados como sujeitos de direitos diante do ordenamento jurídico brasileiro. Disponível em: <http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/taina_cima_argolo.pdf>. Acesso em: 30 set. 2016.
 
[65] ARGOLO, Tainá Cima. Animais não humanos encarados como sujeitos de direitos diante do ordenamento jurídico brasileiro. 2016.
 
[66] REGAN, Tom. The Case for Animal Rights. Berkeley: University of California Press, 1983.
 
[67] OLIVEIRA, Gabriela Dias de. A teoria dos direitos animais humanos e não humanos, de Tom Regan. Florianópolis, v.3, n.3, p. 283-299, Dez 2004. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/ethic/article/viewFile/14917/13584>. Acesso em 17 set. 2016.
 
[68] REGAN, Tom. El desafio de los derechos de los animales. Tradução de Marc Boilla, Barcelona, Altarriba, 2006, p. 26.
 
[69] PRADA, Irvênia – “A Alma dos Animais” – Campos do Jordão, Editora Mantiqueira, 1997.
 
[70] PRADA, Irvênia – “A Alma dos Animais”. 1997.
 
[71] SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. Ediciones Cátedra, Universitat de Valéncia, Madri, 2017, p. 80.
 
[72] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural: ¿necesitamos una nueva ética? Comares: Granada, 1996, p. 135.
 
[73] CASTELO, Carmen Velayos. La dimensión moral del ambiente natural. p. 139.
 
[74] FELIPE, Sônia T. Antropocentrismo, Senciocentrismo, Ecocentrismo, Biocentrismo. Agência de Notícias de Direitos Animais. São Paulo, 03 set. 2009. Revista Páginas de Filosofia, v. 1, n. 1, jan-jul/2009. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/PF/article/viewFile/864/1168>. Acesso em: 02 mar. 2017.
 
[75] LEVAI, Laerte Fernando. Promotor de Justiça do Estado de Goiás. Os animais sob a visão da ética. Tese apresentada em congresso do Ministério Público do Estado de S. Paulo, sobre meio ambiente, 2001.  Disponível em <http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/9/docs/os__animais__sob__a__visao__da__etica.pdf> Acesso em: 20 fev. 2017.
 
[76] LEVAI, Laerte Fernando. Promotor de Justiça do Estado de Goiás. Os animais sob a visão da ética. Tese apresentada em congresso do Ministério Público do Estado de S. Paulo, sobre meio ambiente, 2001.
 
[77] LEVAI, Laerte Fernando. Promotor de Justiça do Estado de Goiás. Os animais sob a visão da ética. Tese apresentada em congresso do Ministério Público do Estado de S. Paulo, sobre meio ambiente, 2001.
 
[78] MOSER, Alvino – “Ética e filosofia no abate de animais para consumo” – Revista do Conselho federal de Medicina Veterinária, Anais de Etologia, Jaboticabal, 1992.
 
[79] LEVAI, Laerte Fernando. Promotor de Justiça do Estado de Goiás. Os animais sob a visão da ética. Tese apresentada em congresso do Ministério Público do Estado de S. Paulo, sobre meio ambiente, 2001.  Disponível em <http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/9/docs/os__animais__sob__a__visao__da__etica.pdf> Acesso em: 20 fev. 2017.
 
[80] SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. Ediciones Cátedra, Universitat de Valéncia, Madri, 2017, p. 307.
 
[81] SESMA, Angélica Velasco. La ética animal – uma cuestión feminista. p. 307-308.
 
[82] LEVAI, Laerte Fernando. Promotor de Justiça do Estado de Goiás. Os animais sob a visão da ética. Tese apresentada em congresso do Ministério Público do Estado de S. Paulo, sobre meio ambiente, 2001.  Disponível em <http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/9/docs/os__animais__sob__a__visao__da__etica.pdf> Acesso em: 20 fev. 2017.
 
Danielle Mariel Heil é advogada, especialista em Direito Constitucional pela Fundação Educacional Damásio de Jesus, em Direito Penal e Processual Penal pela Escola do Ministério Público de Santa Catarina e em Direito Ambiental pela Verbo Jurídico. Mestranda em Ciências Jurídicas pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI e Sub-procuradora Geral do Município de Brusque-SC .


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