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ONU diz que ataques contra rohingyas eram para expulsá-los e impedir retorno

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Quarta-Feira, Dia 11 de Outubro de 2017

Os ataques contra a minoria rohingya de Mianmar foram executados com o objetivo de, não só de expulsar os habitantes de seus povoados, mas impedir seu retorno, concluiu uma equipe de direitos humanos da ONU que investigou as atrocidades ocorridas recentemente.

Esses "brutais ataques foram bem organizados, coordenados e sistemáticos", aponta o relatório preparado por essa equipe, que acrescenta que a estratégia consistia em "inocular um medo e um trauma profundo a nível físico, emocional e psicológico".

Os autores da violência contra os rohingyas, uma minoria muçulmana assentada no estado de Rakhine, no Oeste do país, foram as forças de segurança birmanesas que em algumas ocasiões atuava com a cumplicidade de indivíduos armados budistas da região.

A missão da ONU recolheu informações entre os dias 13 e 24 de setembro a partir de testemunhos de refugiados rohingyas que conseguiram chegar a Cox'a Bazar, em Bangladesh.

Estima-se que, desde 25 de agosto, quando começou a ofensiva militar, chegaram 270 mil refugiados a Bangladesh. Três semanas depois este número passou para 590 mil, segundo os últimos dados da ONU, a principal organização que presta ajuda humanitária na região.

O chefe da equipe da ONU, Thomas Hunecke, descreveu à imprensa as condições desumanas nas quais vivem esses refugiados e as grandes dificuldades em verificar, nessas circunstâncias, as violações aos direitos humanos.

"Trabalhei em várias situações de conflito, mas nunca vi algo assim, tal quantidade de gente. Quando descíamos do automóvel tínhamos imediatamente centenas de pessoas a nosso redor com a esperança de que levássemos alguma ajuda humanitária", narrou.

O método utilizado pelo Exército birmanês para obrigar os rohingyas a fugir indica claramente a intenção de eliminar qualquer possibilidade de retorno. Para isso, incendiaram aldeias inteiras, perpetraram execuções sumárias, praticaram tortura e utilizaram violência sexual.

"Eles (as forças de segurança e indivíduos budistas) rodearam nossa casa e começaram a disparar. Dispararam contra a minha irmã diante de mim, ela só tinha sete anos, eu corri, tentei protegê-la e cuidar dela, mas sangrava tanto que um dia depois morreu. Eu mesma a enterrei", relatou aos enviados da ONU uma menina de 12 anos do município de Rathedaung.


Fonte: Da redação (Justiça em Foco), com EBC e da Ag. EFE.
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