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Fórum sobre auditoria interna discute função de consultoria e prestação de contas

Da redação (Justiça em Foco), com STJ. - sexta, 20 de outubro de 2017
 

O segundo e último dia do IX Fórum Brasileiro da Atividade de Auditoria Interna Governamental, realizado no auditório do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi aberto nesta sexta-feira (20) com uma mesa redonda moderada pelo presidente do Conselho de Dirigentes de Órgãos de Controle Interno da União (Dicon), Geovani Ferreira.

Entre os debatedores estavam os especialistas Antônio Alves de Carvalho, auditor federal de controle externo do Tribunal de Contas da União (TCU); Antônio Carlos Bezerra Leonel, secretário federal de controle interno da Controladoria-Geral da União (CGU), e Francisco Eduardo de Holanda Bessa, assessor especial de controle interno do Ministério da Fazenda.

Homens de negócio

Os debatedores consideraram de grande importância a consultoria como função de auxílio técnico no fomento das boas práticas na administração pública. Na visão dos especialistas convidados, há complementariedade entre os dois papéis desempenhados pela auditoria, seja na avaliação dos processos de trabalho, seja no apoio à gestão. Os debatedores enfatizaram uma mudança de paradigma na auditoria interna, que incorporou a função de agregar valor na administração pública.

“Antes de serem bons auditores, devem ser bons homens de negócio, para colaborar no aperfeiçoamento dos processos de governança”, afirmou Antônio Carvalho. Essa diretriz foi corroborada pelos demais participantes da mesa.

A necessidade de o Brasil convergir com os padrões internacionais foi destacada como uma prioridade, especialmente no contexto de crise fiscal na gestão pública. Na visão dos especialistas, a modernização dos processos de trabalho se impõe. “Se não formos parte da solução, seremos parte do que será cortado”, reforçou Antônio Leonel. Ele afirmou a necessidade de uma revolução cultural no modo de pensar e fazer a auditoria interna e não haver como manter torres de marfim.

Capacidade de diálogo

Francisco Bessa salientou a necessidade de reduzir a distância entre o gestor e a auditoria. A capacidade de diálogo do auditor seria um requisito primário. “Consultoria não é abrir mão da independência. O auditor deve desenvolver uma capacidade extrema de diálogo, à frente da capacidade analítica”, ponderou.

No aspecto prático, o fórum delimitou passos e etapas para a estruturação da função consultoria na auditoria, como o estabelecimento de regras de governança, a documentação dos acordos de trabalho e a metodologia de comunicação dos resultados.

Prestação de contas

A palestra da manhã, proferida pelo secretário de controle externo da Fazenda Nacional do TCU, Tiago Alves Dutra, tratou sobre “Auditoria financeira no âmbito da administração pública federal” e trouxe a importância do tema da prestação de contas no gerenciamento do recurso público, constituindo um princípio constitucional.

“Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões”, resumiu o palestrante.

Tiago Dutra trouxe a experiência do TCU sobre auditoria financeira, um tema recente no modelo de controle brasileiro, embora seja uma das mais tradicionais auditorias no mundo, segundo ele. “A finalidade principal da auditoria financeira é melhorar a prestação de contas e fornecer segurança e confiabilidade na gestão, visto que os governos gerenciam recursos de terceiros”, afirmou. Para ele, uma prestação de contas não tempestiva se torna inócua.