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Polícia Federal investiga desvio de recursos públicos em Alagoas

Da redação (Justiça em Foco), com EBC. - terça, 05 de dezembro de 2017
 

Policiais federais apreenderam cerca de R$ 300 mil, além de 14 mil euros e US$ 5 mil em posse de pessoas suspeitas de ligação com uma suposta organização criminosa investigada por´possível desvio de recursos públicos da prefeitura de Marechal Deodoro, em Alagoas, entre os anos de 2009 e 2016.

Cerca de 110 agentes da Polícia Federal (PF) e fiscais da Receita Federal participaram da Operação de Kali, deflagrada na manhã de hoje (5). No total, foram cumpridos 25 mandados judiciais de busca e apreensão, ordens de sequestro de bens e bloqueio de contas dos investigados.

Parte dos mandados expedidos pela 2ª Vara Federal de Alagoas foi cumprida em Pernambuco e no Maranhão, em endereços de amigos e parentes do ex-prefeito de Marechal Deodoro. Além das quantias em dinheiro, foram apreendidos documentos, mídias eletrônicas e seis veículos.

Segundo a PF, a Operação Kali é um desdobramento da Operação Astaroth, deflagrada em julho deste ano para apurar desvios na prefeitura de Marechal Deodoro, município que faz parte da região metropolitana de Maceió. Por telefone, o atual secretário municipal de Articulação Política, disse que a prefeitura ainda aguarda detalhes da operação policial desta terça-feira.

“Ainda não temos como nos manifestarmos, pois as investigações dizem respeito a ações de gestões anteriores. O que podemos dizer é que esperamos que tudo seja devidamente apurado. E que tomaremos as providências necessárias para que, caso as suspeitas sejam confirmadas, os responsáveis sejam punidos e possamos tentar reaver os recursos desviados”, disse o secretário municipal.

Em setembro do ano passado, a Procuradoria da República em Alagoas ajuizou três ações civis públicas por improbidade administrativa contra o ex-prefeito e mais 38 pessoas e 15 empresas suspeitas de fraudar contratações de serviços e desviar recursos destinados ao transporte de estudantes, compra de merenda escolar e obras. Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) disse que as irregularidades levaram ao enriquecimento ilícito de alguns envolvidos e causou danos ao Erário estimados em R$ 6 milhões. Pessoas próximas do ex-prefeito são suspeitas de ter enriquecido em pouco tempo. Após as denúncias, o ex-prefeito foi afastado do cargo a pedido do MPF.

Hoje, ao falar com jornalistas sobre a Operação Kali, o superintendente da Polícia Federal em Alagoas, Bernardo Gonçalves Torres, declarou que o ex-prefeito comandava uma “rede” de laranjas para lavar dinheiro e ocultar empresas e bens, dificultando as investigações.

A reportagem não conseguiu contato com o ex-prefeito ou seu advogado.