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Bom senso e empatia como receita para convívio em condomínio

Por José Roberto Graiche. - quarta, 08 de abril de 2020
 

A vida em condomínio sempre foi assunto para rodas de conversas em família. A difícil arte da convivência, dosenso coletivo do respeito e da harmonia entre vizinhos senso coletivo, do respeito e da harmonia entre vizinhos.

O momento em que vivemos, diante da pandemia mundial do enfrentamento ao coronavírus, impacta sobremaneira em todos os setores econômicos, além da nossa vida pessoal. Todos nós estamos vivenciando uma experiência inédita para uma geração que não enfrentou grandes guerras e que jamais imaginou este cenário.

Temos medos, preocupações variadas com saúde, economia e com o futuro.

A maior arma no combate da crise é o isolamento social, seguido da informação adequada. Em poucos dias, só a Grande São Paulo concentrou mais de 15 milhões de pessoas em seus apartamentos. Os condomínios, no Brasil e no mundo, viraram o porto seguro e todos concentrados em pequenos espaços territoriais aguardam ansiosos por dias melhores.

Nunca fez tanto sentido como hoje a necessidade do bom senso e do espírito de coletividade no ambiente de condomínio. Além das rápidas medidas com a segurança de todos, reforçando a higiene e tomando providências como o fechamento das áreas comuns e novas regras para o fluxo de pessoas, síndicos e conselhos passaram a atuar como verdadeiros prefeitos e até mesmo delegados para manter o mínimo de ordem. Tudo mudou rapidamente e foram necessárias ações duras e decisões difíceis.

Exatamente no momento em que as pessoas estão ansiosas, preocupadas e aflitas, foi necessário tirar o lazer e isolar. As rotinas das famílias mudaram: filhos em casa, trabalho home office, entregas de mantimentos e refeições, pessoas já doentes nos apartamentos, idosos precisando de ajuda e foi preciso se adaptar, compreender as novas regras, ser mais solidário, tolerante. Também assistimos a cenas felizes, de aniversários na sacada, profissionais oferecendo ajuda, mutirões para auxiliar idosos e/ou grupos de riscos, dentre outros bonitos momentos de superação e cidadania.

Infelizmente, os conflitos se acentuaram também. Novos horários praticados pelas famílias, pico de pessoas em elevadores, crianças brincando e vizinhos trabalhando, diminuição de efetivo de funcionários nos apartamentos e nos condomínios, aumento de violência doméstica e uma infinidade de imprevistos que precisam ser superados e que deixarão lições de convivência significativas.

Somos resilientes e certamente sairemos fortalecidos da crise, como pessoas, família, cidadãos e condôminos.

Empatia e bom senso são as palavras de ordem. Fiquem em casa e fiquem em paz.

*José Roberto Graiche é presidente do Grupo Graiche e advogado especialista em Direito Imobiliário