Educação

Interferência da ABMES e da ANUP no MEC prejudicam estudantes de Medicina, denuncia Francisco Bacelar

Por Ana Menezes | [email protected] | Edição: Ronaldo Nóbrega - quarta, 15 de julho de 2020
 

Por Ana Menezes 

Corporativismo das Universidades prejudicam estudantes de Medicina em todo o Brasil

O Presidente da Associação de Pais e Estudantes de Medicina do Estado da Bahia, Francisco José Calmon Bacelar, participou de uma ‘live’ com o jornalista Ricardo Vasconcelos da Rádio Livre de Salvador. O assunto abordado foi a grande influência que as Instituições de Ensino Superior exercem no Ministério da Educação ditando os rumos da Educação de Nível Superior no Brasil. 

Segundo Francisco Bacelar, há um corporativismo entre a Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), a Associação Nacional das Universidades Privadas (ANUP) e o Conselho Nacional de Educação (CNE) juntamente com a Secretaria Especial de Relação com Ensino Superior (SERES/MEC).

Francisco Bacelar denuncia uma interferência da ABMES e da ANUP nas resoluções e decretos do MEC que favorecem apenas as Instituições de Ensino Superior em detrimento de pais e alunos. No caso do curso de Medicina, por exemplo, essa situação fica pior em razão dos altos custos envolvidos para que um aluno se torne médico. Estima-se que durante os 5 anos, a residência médica e especialização, uma família investe cerca de 1,5 milhão de reais na graduação de um médico.

A relação de lobbying entre as associações de ensino superior se intensificou com a pandemia do novo coronavírus. De acordo com Francisco Bacelar, uma ‘live’ no Youtube demonstrou quem manda de fato no MEC. Os participantes foram Celso Niskier – Diretor presidente da ABMES, Luiz Roberto Liza Curi – Presidente do CNE, Márcio Coelho – Diretor de Política Regulatória da SERES/MEC e Sólon Caldas – Diretor executivo da ABMES.

Segundo Bacelar fica nítido o desconforto do diretor da SERES, Márcio Coelho, quando o presidente do CNE e os diretores da ABMES ditam o que o Governo Federal deve fazer. Pouco tempo depois, tudo o que foi “discutido” nessa ‘live’ é implementado por meio de decretos, resoluções e outros dispositivos legais.

De fato, essa influência demasiada prejudica toda a sociedade e privilegia os donos de faculdades e universidades em todo o país. Alunos e pais já arcam com mensalidades exorbitantes e regras abusivas que não permitem aos alunos sequer trancarem o curso mais de uma vez. No exemplo citado por Bacelar, o pai agricultor perdeu a lavoura para a seca e foi obrigado a trancar o curso de Medicina da filha, na safra seguinte a colheita foi prejudicada pela chuva, mas não havia mais como trancar o curso e aluna foi desligada. Isso demonstra que essas instituições não estão preocupadas com o ensino em si, mas apenas com o lucro.

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