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Comunicação pós-pandemia

Por Natalia Tavares - quarta, 18 de novembro de 2020
 

Por Natalia Tavares*

Você pode não gostar dele – assim como eu, mas independente de nossas preferências políticas, é impossível não concordar com o fato de que Barack Obama é, sem dúvidas, o maior orador contemporâneo. O primeiro negro a vencer uma eleição presidencial nos Estados Unidos, Obama alia assertividade, elegância e atua como um maestro em seus discursos. Coordena conteúdo, expressividade e pausas com carisma ímpar. E por que estamos falando dele agora? Porque o “novo normal” trazido pela pandemia do Coronavírus mudou também a comunicação no mundo corporativo. Se, antes, ficar diante de uma câmera era opcional e limitado a porta-vozes e figuras públicas, as reuniões online, lives sem fim e até audiências públicas virtuais mudaram o foco das câmeras – literalmente. E elas estão voltadas para um universo muito maior de pessoas. Profissionais que, do dia para a noite, perceberam que precisam dominar a arte de se comunicar. Tipo assim, como o Obama já faz há tempos.

Durante os anos como presidente dos Estados Unidos, ele sempre chamou a atenção pela forma eficaz como se comunica e, por isso, ganhou o apelido – dado por especialistas mundiais no assunto – de “Rei da Oratória”. Seu discurso de posse teve 2.401 palavras e durou 18 minutos e 10 segundos. E uma multidão fez silêncio para ouvir aquele que nem seria seu melhor discurso – descobriríamos depois.

Barack Obama é, de fato, um grande comunicador. Disso, ninguém pode discordar. E uma das grandes lições que ele nos dá, tanto para quem atua no meio político quanto para quem atua em qualquer outro meio, é a importância de dedicar tempo e vontade para aprimorar as técnicas de comunicação e oratória, independente da trajetória que temos.

O maior problema de pessoas públicas, hoje em dia, é achar que sabem falar bem em público e julgarem perda de tempo parar algumas horas para absorver esse tipo de conhecimento. Mas aí, após a primeira entrevista negativa, com repercussão catastrófica, a certeza da boa oratória se esvai. E isso é muito comum. O que não é comum são pessoas em posição de destaque público, ainda que a necessidade mais comum de se expor seja em reuniões no trabalho, entenderem que falar bem, ser carismático, dominar a Língua Portuguesa, não são atributos suficientes para que consiga fazer o seu público compreender a mensagem que você quis passar. Ser ouvido é fácil. Ser compreendido é algo muito raro – mas que se aprende.

E, mais uma vez, Obama prova isso. Há um vídeo muito famoso na internet onde ele treina – literalmente – até as expressões faciais que vai adotar em um discurso, horas mais tarde. E tudo sai como o combinado. E, o melhor, não parece ter sido ensaiado. É muito natural. Mas a naturalidade também é fruto de prática. Muita prática.

Pense nisso na hora que vir um bom palestrante, um orador de destaque ou mesmo um colega de trabalho que sempre consegue o que quer pela forma como se expressa. Certamente, eles aprenderam a ser assim – não nasceram sabendo. E você pode – e deve - aprender também.

*Natalia Tavares é jornalista, com mais de 20 anos de atuação nas áreas de Marketing Político, Prevenção e Gestão de Crise, Media Training e Assessoria de Imprensa.