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Perspectiva para a economia nos próximos meses

Por José Gustavo Araújo - sexta, 27 de novembro de 2020
 

Por José Gustavo Araújo*

A economia e o comércio global está sendo retomado após um período de lockdown, mas muito ainda pode ser feito em defesa do multilateralismo das nações. A guerra comercial, entre China e EUA, deve ser resfriada em 2021 com a eleição do Joe Biden. Nos Estados a preocupação é que o Fed (Federal Reserve) continue a sinalizar que está lavando as mãos como Pôncio Pilatos: Sem aperto, mas também sem novo afrouxamento, para a economia e o comércio. Com a expectativa da nomeação de Janet Yellen como secretária do tesouro animou o mercado. Yellen deve continuar com a política monetária do Jerome Powell, atual presidente do FED.

Imagem do índice Nasdaq jan/2020 a nov/2020 (Investing.com)

A bolsa NASDAQ surpreendeu o mercado com altas consecutivas principalmente pelas empresas listadas do segmento de tecnologia, como as chamadas (FAANGs - Google, Amazon, Facebook, Apple), se refere as quatro das maiores companhias da Internet.

Na Europa, Christine Lagarde, que exerce as funções de Presidente do Banco Central Europeu (BCE), desde novembro de 2019, promete mais um pacote de estímulos monetários para gerar liquidez para a economia europeia. O apoio das medidas de 750 bilhões de euros do pacote da “Próxima geração” da União Europeia (UE) e os estímulos econômicos do BCE serão grandes incentivos para o setor privado. Existe um movimento de pesquisa e desenvolvimento para fornecer uma inovação para que as mudanças não virem cicatrizes no pós-pandemia. Transformações positivas, puxadas pela transformação digital e pela economia verde serão temas em destaque na economia global para os próximos anos. O World Economic Forum em seu encontro Anual de 2021, em Davos, irá ocorrer no verão no Hemisfério Norte, em 21 de junho, mas ainda sem uma data exata, terá como principal tema o ESG (environmental, social and governance).

Na Ásia o presidente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Haruhiko Kuroda, renovou a promessa de manter uma política monetária altamente acomodatícia, num momento em que a pandemia da covid-19 afasta o BC japonês ainda mais de sua meta de atingir uma taxa de inflação de 2%.

No Mercado brasileiro o ano de 2020 passou por uma grande variação afetada principalmente pela pandemia do vírus COVID-19 e pelas frustações nas aprovações de reformas estruturais do governo (reforma administrativa e reforma tributária). O Banco Central com a implementação do PIX e do Open banking será um novo marco para o sistema financeiro e possibilidade de novas instituições financeiras surgirem para os próximos anos.

O Ministro da Economia segue a lógica do simples, mas difícil de ser executado. Diminuir a dívida pública. Com a venda de ativos, privatizações, e desalavancar bancos públicos, redução da dívida interna. Recentemente o Ministro Guedes até sugeriu vender um pouco de reservas (câmbio).

Com isso, o Ibovespa segue em recuperação após um ano de muita volatilidade. Com a variação de mais de 78% de janeiro a novembro. Alcançou uma máxima histórica de 119.452 pontos em janeiro/2020, e uma baixa de 61.897 pontos em março/2020 após 6 circuit brakers acionados consecutivos em 8 pregões.

Imagem do Ibovespa jan/2020 a nov/2020 (Nelogica)

A Inflação de 2020 segue próximo da meta do Conselho Monetário Nacional, 3,45% nos 12 meses, e a expectativa para 2021 segundo relatório FOCUS do Banco Central será de 3,40%. A 234° reunião do COPOM (Comitê de política monetária) manteve a meta taxa Selic em 2% a.a. A expectativa do relatório FOCUS do Banco Central de 20 novembro para o ano de 2021 será taxa de 2,75%. Fator que demonstra a perda de oportunidades na renda fixa e títulos públicos atrelados à taxa de juros para os próximos meses, como é o caso das LTNs.

O preço do barril de petróleo segue em recuperação. A Argélia, que está com a presidência rotativa da Opep, apoia a prorrogação dos cortes na produção de barril de petróleo, enquanto a Arábia Saudita disse que o acordo da Opep+ poderia ser "ajustado" se necessário. Para os próximos meses, a Opep+ liderado pela Rússia devem decidir sobre o aumento gradual da produção, e que deve aumentar o valor do barril de petróleo para os próximos meses.

O contrato do ouro OZ1 está cotado a R$ 305,00. O Ouro é um ativo no qual é buscado em momentos de crise, por esse motivo o contrato do ouro saltou de R$ 202,00 em março/2020, para o preço de R$ 354,00 em outubro/2020, com uma variação de mais de 60%. A correlação do contrato de ouro é negativa em relação ao Ibovespa.

Contrato do dólar (USD/BRL)

USD/BRL Jan/2020 a Nov/2020 (Investing.com)

Contrato de Euro (EUR/BRL)

EUR/BRL Jan/2020 a Nov/2020 (Investing.com)

Com as perspectivas da vacina Pfizer contra o COVID-19 em dezembro nos Estados Unidos da América seguem como fonte de bom ânimo para o mercado. Porém, é necessário cautela com os investimentos em renda variável, principalmente pelo risco de variação nos próximos meses. Uma diversificação na carteira de investimentos é essencial. Deve ser avaliado, a proteção patrimonial de seus investimentos e a sucessão de cada ativo, para isso procure um assessor de investimentos para melhor atender os seus objetivos de curto, médio e longo prazo. 

José Gustavo Araújo é graduado em Administração e Marketing e pós-graduado em Estatística Aplicada a Negócios. Possui os certificados CEA e ANCORD AAI e é associado a Planejar - Associação Brasileira de Planejadores financeiros. Desenvolveu inicialmente a carreira como militar do exército, migrando posteriormente ao segmento financeiro. Teve vivência em área comercial no banco Santander e no segmento imobiliário. Hoje atua como professor na startup Eu me Banco!