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Copom, taxa de juros e Selic Meta: Entenda melhor sobre o assunto!

Por José Gustavo Araújo - sexta, 11 de dezembro de 2020
 

Por José Gustavo Araújo

Selic em patamar histórico

No passado recente, no ano de 2016, convivíamos com uma taxa de juros de mais 14% a.a. Consequentemente, a taxa DI era uma boa opção para rentabilidade nos investimentos. Títulos públicos LTN, NTN-B eram atrativos para o investidor. Os títulos privados CDB's, LCI, LC's e LCA's nos quais contam com a garantia do FGC, eram atrativos, porque tinham segurança e rentabilidade.

Os especialistas em investimentos e assessores, tinham pouca dificuldade para recomendar investimentos. A bolsa de valores era pouco buscada, e considerada de maior risco. O mercado de capitais passou por uma revolução nos últimos anos. Taxa Selic baixa, consequentemente torna o crédito para as empresas com juros baixos e valores acessíveis. Empresas fortes geram empregos, empregos geram rendas, e aumenta a capacidade produtiva do nosso País.

No ano de 2018, a política monetária e decisões do COPOM levaram a taxa de juros Selic à meta para 6% a.a, e em 2020, a histórica, e nunca vista taxa de juros Selic meta de 2% a.a. A consequência desse cenário foi o aumento da aversão ao risco pelos investidores. O mercado de capitais passou por uma grande transformação, e a B3 (Bolsa de Valores São Paulo) viveu um recorde de cadastro de pessoas físicas, e a maior captação em IPO’s (Ofertas públicas de ações) na história.

Inflação estável e desafio do banco central

A meta da inflação é definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), porém a responsabilidade por cumprir a meta é do Banco Central do Brasil. Em 2015, a inflação foi de 10,67%, bem acima do limite máximo da meta, de 6,5%. O então presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o avanço do dólar e o aumento dos preços administrados pelo governo, em especial o da energia elétrica e o dos combustíveis, influenciaram no estouro da meta de inflação. Atualmente a inflação está próxima da meta de 4%. Uma correlação entre Inflação e Selic ocorre de acordo com a oferta e demanda. Quando a taxa de juros cai, a tendência é que a inflação suba. No entanto, no decorrer do ano de 2020, vivemos uma pandemia global, na qual fez com que houvesse uma retração da economia no Brasil e em diversos países no mundo.

O COPOM se reúne 8 vezes ao ano. A reunião é dirigida pelo Presidente do Banco Central e 8 membros da diretoria colegiada do Banco Central. A 235ª reunião do COPOM será a última do ano. Com cenário de inflação controlado, e decisões compartilhadas com viés de política monetária expansiva, e seguido pela equipe econômica do ministro da economia Paulo Guedes, a propensão é de manter a taxa em 2% a.a., e no próximo ano, em 2021 a expectativa é que a taxa seja de 3% a.a.

Os especialistas de investimentos e assessores devem compreender que a economia mundial irá passar por uma recessão no primeiro trimestre de 2021, e veremos as bolsas globais subirem, não por muito tempo. Haverá um momento em que a bolsa irá ficar lateralizada, como ocorreu na crise de 2008. O cenário será de renda variável estável e taxa de juros baixa. Como o investidor irá buscar rentabilidade? Esse será um desafio para os profissionais. Acima de tudo o relacionamento e comprometimento será o principal fator para a decisão do investidor em qual instituição irá buscar proteger o seu capital.

José Gustavo Araújo* (foto) é graduado em marketing e pós-graduado em estatística aplicada a negócios. Possui os certificados CPA-10, CEA e Ancord AAI e é associado a Planejar. Desenvolveu inicialmente a carreira em área comercial no banco santander e no segmento imobiliário. Hoje atua como professor e coordenador na Startup Eu me Banco!