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Pandemia, xenofobia e racismo - por Palmarí H. de Lucena

Da redação com informações de assessoria/Foto: Ringo Chiu / Getty Images. - segunda, 29 de março de 2021
 

Recente tiroteio na cidade americana de Atlanta, destacando o surgimento de uma onda de violência contra pessoas de ascendência asiática. Tendência ressoando ao redor do mundo, durante a pandemia do covid-19. Historiadores e pesquisadores estudando as causas de incidentes desta natureza, concluíram que estigma de uma doença e racismo são sempre companheiros de viagem, e elementos externos impactando a formulação de respostas às epidemias e pandemias por séculos. Estabelecendo portanto, a importância de estudar o legado de preconceitos ligados às doenças, como também de reexaminar políticas públicas e atitudes no combate de um surto epidêmico, quando estes ocorram.  

Roderick E. McGrew, um dos autores da Encyclopedia of Medical History, afirmou no seu estudo sobre cólera que, “[...] Epidemias não criam situações anormais, elas simplesmente realçam comportamentos prevalecentes, expondo as raízes profundas de um continuado desequilíbrio social.” Como acontece nos Estados Unidos, e de uma certa maneira no Brasil, racismo se manifesta em uma variedade de maneiras, seja ela violência policial, efeitos de racismo estrutural ou resultado de racismo excludente, que deixam pessoas, comunidades pobres e minorias raciais mais vulneráveis ao contágio de doenças infecciosas. De uma maneira ou outra, racismo mata! 

Apesar do conhecimento da Teoria do Germe, equacionamento sobre a propagação de doenças, posições similares as vigentes antes do século 19, reafirmando acusações que pestilências eram sempre atribuídas a grupos minoritários ou étnicos, como os judeus no século 14. Visão míope justificando elementos de exclusão prevalentes em políticas contemporâneas de emigração, deslocamentos inter-regionais e viagens internacionais. Usando doenças como uma alavanca para dar relevo às diferenças e alteridade quando se trata de populações minoritárias, excluídas sócio ou culturalmente. 

Conectar a ideia de um lugar ou grupo de pessoas a um patógeno é algo que vigora até os dias de hoje. Donald Trump usou a frase “vírus da China” para caracterizar coronavírus, posição seguida servilmente por Jair Bolsonaro e extremistas a serviço do seu Governo. Surgindo agora novas variantes como a Brasileira ou Sul-africana, designações que fortalecem ideologias racistas e xenofóbicas, intrínsecas na associação de doenças com certas partes do mundo, tartamudeando os nomes de uma epidemia através de uma variedade de maneiras que atribuem culpa por uma doença a certos países, áreas geográficas ou populações excluídas, como evidenciado em manifestações racistas contra a população de ascendência asiática dos Estados Unidos.   

Palmarí H. de Lucena –  Escritor / Membro da UBE – União Brasileira de Escritores / Publica textos semanalmente no seu Blog Palmarí na Estrada

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