Geral

Em nota oficial, Caixa Econômica Federal não se posiciona sobre material cancerígeno

[email protected] - quarta, 18 de agosto de 2021
 

CEO Editor | Ronaldo Nóbrega

Após divulgada a denúncia de que a Caixa Econômica Federal havia lançado edital para aquisição de papel térmico com brecha para conter a substância cancerígena Bisfenol A (BPA), foi divulgada (14/8/) uma nota da Assessoria de Imprensa da CEF:

"A CAIXA informa que o pregão eletrônico n º 145/2021 tem por objeto a contratação de empresa para prestação de serviços de produção de bobinas de papel térmico personalizadas, com elementos de segurança específicos para utilização em unidades lotéricas. Dentre as especificações técnicas do insumo a ser produzido, consta a certificação de manejo florestal do papel, garantindo que este não é proveniente de desmatamento ou de práticas não sustentáveis, sendo aceitas as seguintes certificações Forest Stewardship Council – FSC ou similares, como o Programa Nacional de Certificação Florestal - CERFLOR ou por certificadora credenciada junto ao Instituto Nacional de Metrologia - INMETRO, para esse fim. A CAIXA exige que seus fornecedores cumpram com as determinações da legislação ambiental vigente e atue na prevenção de impactos ambientais gerados por seus processos, produtos e serviços e na mitigação, correção ou compensação, quando identificados. Atenciosamente, Assessoria de Imprensa da CAIXA." (grifo nosso)

Embora seja louvável o posicionamento da Caixa em relação ao meio ambiente, esse não é o assunto que está em tela, mas sim a saúde dos funcionários e usuários das lotéricas e agências da Caixa em todo o território nacional.

Vale destacar que as certificações destacadas na nota da Assessoria de Imprensa nada tem a ver com as substâncias químicas (BPA) que irão tingir os papéis, mas sim com a origem e destino da celulose, matéria-prima para produção do papel. Tanto o FSC como o CERFLOR são organizações sem fins lucrativos que se preocupam com as questões de desmatamento e manejo sustentável de florestas.

Na questão da saúde humana, especialmente em relação ao câncer, a certificação exigida pela Caixa Econômica deveria ser a do Instituto Nacional do Câncer (INCA) ou da Agência de Vigilância Sanitária que considera o material cancerígeno.

Diversos estudos concluem que a toxicidade e o potencial carcinogênico do BPA são especialmente perigosos para a evolução do câncer de mama e de próstata, os dois tipos mais comuns dessa doença.

Uma revisão de literatura recente conduzida por Seachrist et al. (2015) conclui que “há evidências substanciais de estudos indicando que as exposições iniciais ao BPA, abaixo da dose oral de referência, levam ao aumento da suscetibilidade ao câncer de mama e de próstata. O BPA pode ser considerado um carcinógeno humano na mama e na próstata devido às suas propriedades promotoras de tumor”.

Ou seja, o BPA é potencialmente cancerígeno até em baixíssimas doses, inclusive nas que entram em contato com a pele humana no manejo de papéis térmicos que contém essa substância. A redação do site ‘Justiça em Foco’ abre novamente o espaço para a Caixa Econômica Federal se pronunciar sobre o tema. 

[email protected]

Fonte: SEACHRIST, Darcie D. et al. A review of the carcinogenic potential of bisphenol A. Reproductive Toxicology, v. 59, p. 167-182, 2016.

Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4783235/. Acesso: 18 de ago. 2021.