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Surdolimpíada mobiliza 740 atletas e dá protagonismo à língua de sinais

MC | [email protected] | Foto: CBDS - domingo, 05 de dezembro de 2021
 

A abertura da Surdolimpíada em São José dos Campos promoveu uma inversão simbólica e conceitual da hieraquia linguística. Os cerca de 740 atletas presentes no ginásio Teatrão, na Vila Industrial da cidade paulista, vivenciaram um momento de protagonismo da língua de sinais em suas versões brasileira e internacional.

Eu me senti homenageado. Com sensação de pertencimento. Já é um sonho descobrir que existem tantas pessoas surdas e atletas reunidos em um lugar só, e ter a comunicação voltada para a forma que usamos dá orgulho"

José Coelho, da equipe de caratê do Pará
Em vez da fórmula habitualmente imposta aos surdos, em que ouvintes falam em português e uma intérprete traduz na sequência para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), o evento foi conduzido em Libras e na língua de sinais internacional e, depois, adaptado ao português. A perspectiva trouxe para o primeiro plano os surdoatletas de 18 Unidades Federativas.

"Eu me senti homenageado. Com sensação de pertencimento. Já é um sonho descobrir que existem tantas pessoas surdas e atletas reunidos em um lugar só, e ter a comunicação voltada para a forma que usamos dá orgulho", disse José Coelho, da equipe de caratê do Pará.

Outros dois momentos deram evidência à língua de sinais: o Hino Nacional foi interpretado em Libras no palco, acompanhado nos gestos por dezenas de atletas na arquibancada. Houve ainda a apresentação de um grupo de 27 alunos, entre surdos e ouvintes, da Escola Municipal Maria Aparecida dos Santos Ronconi. A performance retratou a trajetória de luta e reconhecimento da língua de sinais. A escola é referência na área em São José dos Campos.

As competições em 15 modalidades mobilizam 11 instalações esportivas do município paulista entre este sábado, 4/12, e a terça-feira, 07/12. O evento tem suporte de R$ 1,2 milhão do Governo Federal, com R$ 800 mil do orçamento da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania e o restante em emendas parlamentares.  

"A Confederação Brasileira de Desporto de Surdos (CBDS) foi fundada em 1984. Uma luta grande num momento em que não existia conceito de acessibilidade, nem intérprete de Libras e nem a tecnologia que temos hoje. Anos depois, agora temos uma abertura grande para o esporte de surdos e para nossa entrada na sociedade", lembrou Diana Kyosen, presidente da CBDS. "A visibilidade à causa trazida pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e a criação da Secretaria do Paradesporto são sinais importantes do Governo Federal à importância do nosso trabalho. Tentamos nessa abertura uma comunicação ampla, com todos. É uma marca em nossa história", completou.