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Agenda ESG ganha espaço na 41ª Convenção Anual da ABAD

[email protected] (Foto: Divulgação) - quarta, 15 de junho de 2022
 

Em tempos de valorização de ações sociais, humanitárias e de boas práticas sustentáveis, a 41ª Convenção Anual da ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) – ABAD 2022 ATIBAIA/SP abordou o tema “Agenda ESG: revolução nos negócios e na sociedade”. O painel apresentou iniciativas das empresas Boomera, de capital nacional e focada em economia circular; da P&G e ainda destacou um estudo inédito, realizado com cerca de 2 mil colaboradores do canal indireto, que avaliam as ações das companhias no trato com o capital humano, social, ambiental e financeiro do atacado distribuidor.

Luiz Marcatti, do Mesa Corporate Governance e mediador do painel, explicou que a demanda por ESG veio “para ficar e gerar valor”. “Surgiu, em 2019, a partir da carta de um grande empresário, Larry Fink, para os CEO’s das operações do fundo Blackrock, com diretrizes apontando onde e como devem direcionar os investimentos com busca de resultados alinhados a uma estratégia de longo prazo e avaliando os impactos que a empresa causa ao meio ambiente e na sociedade. Não se trata apenas de ganhar dinheiro, mas sim de que forma isso é feito e mostrar resultado do que é construído ao seu redor.”

Luiz Turmina, vice-presidente da ABAD, comentou o levantamento realizado em parceria com a Economics of Mutuality Solutions – EoM, com patrocínio da indústria de bens de consumo MARS, e apresentado, em vídeo legendado, no início do painel. A pesquisa traz o olhar dos colaboradores do setor para as ações das empresas. “O estudo mostra que 78% dos respondentes não eram gerentes, o que se traduz em um retrato de empresas do nosso setor e que aponta bons insights e boas oportunidades”, observa.

Turmina ressaltou que a pesquisa aponta a percepção dos funcionários e, nem sempre, ressalta a realidade do setor, especialmente considerando que somente 30% enxergam ações sustentáveis adotadas pela companhia. “De nada adianta a companhia ser sustentável se não divulga e engaja os colaboradores nas iniciativas.” LEIA [abaixo] a reportagem nesta edição com mais detalhes do estudo.

Guilherme Brammer, CEO da Boomera, abriu a apresentação criticando desperdícios observados na economia linear, baseado em ciclo de vida curto de produtos e de pouco uso. “Precisamos repensar a forma do fazer, de inventar novas práticas. Se o mercado financeiro começa a pensar onde vai investir o dinheiro já leva as empresas a repensar a forma de fazer negócios”.

A empresa investe na economia circular, com a transformação de resíduos em novos produtos. O conceito é desenhar produtos e sistemas de modelos de negócios que se autoalimenta. E que somente extrai recursos não-renováveis da natureza quando é necessário. A Boomera tem parceria com empresas, oferecendo soluções de reciclagem, logística, engajamentos, palestras etc. Hoje tem mais de 400 clientes trabalhando no desenvolvimento de projetos e produtos. Entre os quais está o projeto com a ABAD, de ponto de entrega voluntário no varejo. O material coletado é enviado e gera renda para cooperativa de catadores.

Luana Borges, da P&G, explicou o trabalho desenvolvido pela empresa com foco em três pontos: impacto na comunidade, igualdade e inclusão e sustentabilidade ambiental. Ela propôs uma ação que envolve funcionários, marcas, parceiros e comunidade. Entre as ações destacadas está a de Always, exemplo emblemático, que trabalha com propósito do fim da pobreza menstrual. “Tem meninas que não vão a aula porque não tem absorvente”. Em parceria com os clientes, a indústria já fez a doação de 1,8 milhões de absorventes.

Flavio Vinte também falou do Crie o Impossível, um programa criado por ele, de cunho social, de estímulo a educação e capacitação para jovens de escola pública.  Aproveitou o momento para ressaltar a importância de considerar que ações voltadas para o ESG geram valor e podem reverter em bom resultado financeiro e de marketing.

Ações sustentáveis das empresas

Um levantamento inédito com quase 2 mil colaboradores do setor mostra como está a relação do desempenho das empresas com o capital humano, social, ambiental e financeiro do atacado distribuidor. Realizado em parceria com a Economics of Mutuality Solutions – EoM, com patrocínio da indústria de bens de consumo MARS, o estudo foi  apresentando na Coletiva de Imprensa da 41ª Convenção Anual do Canal Indireto – ABAD 2022 ATIBAIA, realizada na manhã do dia 6 de junho. O levantamento tem como objetivo co-criar valor dentro do ecossistema, com oportunidades de crescimento coletivo que beneficie as empresas do setor, seus colaboradores, fornecedores e parceiros.

Alguns dos dados levantados chamam a atenção: 73% dos respondentes da pesquisa dizem que indicariam seu trabalho a outras pessoas, deixando claro que veem seu trabalho de maneira positiva; 75% desejam aprender novas habilidades e melhorar a educação, externando clara demanda por capacitação; num exemplo de confiança na solidez do setor e desejo de evoluir junto com o negócio, 81% acreditam que a empresa onde trabalham crescerá nos próximos três anos e 79% têm expectativa de que sua própria renda também cresça.

Apesar da expectativa futura positiva, apenas 38% se dizem altamente satisfeitos com a sua renda atual. E somente 30% sentem que as empresas estão adotando ações sustentáveis. E 78% dos respondentes gostariam que suas empresas aumentassem os esforços de sustentabilidade.

“Por acreditarmos que o futuro dos negócios e o atingimento de resultados no longo prazo está intimamente ligado à sustentabilidade, nosso propósito é envolver o setor com essa questão, abrangendo os quatro pilares da pesquisa: capital humano, social, financeiro e ambiental. Esta pesquisa é um primeiro passo nesse sentido, e a partir dela vamos aprofundar nossa compreensão acerca desses temas”, explica o presidente da ABAD, Leonardo Miguel Severini, que teve o apoio do vice-presidente José Luis Turmina na coordenação da pesquisa.

“Esta é basicamente uma pesquisa de satisfação, perspectivas e confiança. Seu objetivo é identificar, a partir da percepção dos colaboradores do setor atacadista e distribuidor, quais são os drivers, isto é, os elementos motivadores que fazem com que, na ponta, as pessoas sejam mais felizes e tenham um desempenho melhor nas empresas. E, a partir daí, propor melhorias”, diz Marcus Souza, diretor de Vendas e Marketing da MARS.

“O objetivo dos negócios é produzir soluções rentáveis para os problemas das pessoas e do planeta, não lucrar com a criação de problemas para as pessoas e o planeta. Esse é o propósito da existência de uma empresa que realmente importa”, diz Tereza Valentova, líder de Projeto da EoM.

Para o EoM, segundo Tereza, os modelos econômicos atuais, que por anos têm trazido lucro e permitido o crescimento das empresas, vêm aos poucos mostrando sinais de exaustão. Para que lucros e oportunidades continuem surgindo, é preciso que novas variáveis sejam levadas em consideração, de modo a tornar as atividades sustentáveis no longo prazo. Dessa forma, sustentabilidade é uma palavra-chave para os negócios de hoje. E ser sustentável significa criar valor e trazer benefícios não só para as empresas, mas para toda a sociedade.

Principais insights

Alguns dos principais insights obtidos a partir dos dados levantados (áreas de oportunidade) são:

Demanda por oportunidades de aprendizado e desenvolvimento de habilidades para funcionários de empresas distribuidoras (capital humano)
Ações de sustentabilidade em prol do meio ambiente são bem-vistas por larga maioria (capital natural)
A adoção de vendas online por parte das empresas atacadistas e distribuidoras é relevante para melhorar seu desempenho econômico (capital financeiro compartilhado)
A confiança (capital social) é um importante motor do desempenho econômico e da satisfação no trabalho, de modo que esforços colaborativos entre o setor e a indústria podem construir relações mais profundas entre as partes interessadas e criar valor mútuo em todo o ecossistema.

Metodologia

A pesquisa foi realizada nos meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022, com a participação de quase 2.000 respondentes, funcionários de empresas atacadistas e distribuidoras de vários pontos do país, sendo a maioria deles das áreas de vendas (26,8%) e logística (14,4%), correspondendo em conjunto por mais de 40% do total.

Perfil dos participantes: 65% do sexo masculino e 33% do sexo feminino, majoritariamente com idades entre 30 e 50 anos (59%) e não ocupantes de cargos gerenciais (78%).

Por meio de questionário, a pesquisa procurou medir a percepção dos participantes acerca dos quatro pilares (ou capitais) da sustentabilidade:

Humano: saúde, conhecimento, bem-estar e nível de satisfação pessoal e profissional
Social: níveis de confiança e a quantidade e qualidade das relações/conexões dentro e fora da empresa
Natural: iniciativas voltadas ao consumo consciente de recursos e preservação do ambiente
Financeiro compartilhado: desempenho econômico
A metodologia permite entender os impulsionadores do desempenho econômico do setor, possibilitando identificar ações específicas para melhorar o bem-estar dos funcionários e saber onde concentrar investimentos para ampliar o potencial do ecossistema.

“ESG”.  A sigla vem do inglês Environmental (Ambiental, E), Social (Social, S) e Governance (Governança, G).

CEO Editor | Ronaldo Nóbrega 

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