
O episódio envolvendo o Banco Master e o ministro Dias Toffoli deixou de ser apenas um debate jurídico e passou a se afirmar como um problema de percepção pública com impacto institucional mais amplo. Levantamento da Ativaweb DataLab, que analisou 591 milhões de menções em redes sociais ao longo de 30 dias, indica a consolidação de uma crise narrativa persistente, com efeitos diretos sobre a imagem das instituições.
Segundo o estudo, 78% do conteúdo associado ao caso tem viés negativo. Trata-se de um nível que, do ponto de vista técnico, caracteriza uma crise reputacional estrutural, e não um episódio pontual. O dado chama atenção não apenas pelo volume, mas pela tendência. Ao longo das semanas analisadas, o índice de negatividade cresce de forma contínua, chegando a 84% no período mais recente, sinal de retroalimentação algorítmica e de baixa eficácia das tentativas de contenção do discurso crítico.
A linguagem predominante nas interações digitais ajuda a explicar esse quadro. Termos como escândalo, fraude, corrupção, blindagem e investigação aparecem de forma recorrente, associando o caso a uma percepção de crise sistêmica. O debate extrapola a situação específica do banco ou de decisões judiciais e passa a refletir questionamentos mais amplos sobre a integridade do sistema de Justiça e sua relação com o poder político e econômico.
Nesse contexto, o nome de Toffoli ocupa posição central na narrativa digital. Mesmo quando não é o tema principal das publicações, funciona como eixo simbólico do debate. Para os analistas, essa personalização do desgaste institucional tende a acelerar a erosão da confiança pública, ao concentrar em figuras individuais um questionamento que é, na prática, mais amplo.
Outro ponto destacado pelo estudo é a dificuldade de circulação de conteúdos positivos ou defensivos. Quando o sentimento negativo ultrapassa de forma sustentada a marca de 75%, os algoritmos das plataformas passam a priorizar enquadramentos críticos, reduzindo o alcance de versões explicativas. Nesse estágio, a ausência de resposta institucional não diminui o ruído. Ao contrário, contribui para sua amplificação.
Ainda não é possível dimensionar impactos econômicos diretos decorrentes desse processo. A experiência recente, porém, sugere que crises de confiança dificilmente permanecem restritas ao plano simbólico. Elas tendem a influenciar decisões políticas, afetar a credibilidade regulatória e impor custos difusos ao ambiente institucional. À luz dos dados digitais, o caso Banco Master já não se resume a um processo em andamento, mas se apresenta como um indicador do grau de tensão entre instituições e opinião pública no país.
O estudo é assinado por Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, responsável pela elaboração e pela metodologia aplicada na análise.
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