
A crise na saúde pública de Campina Grande entrou em uma nova fase, agora marcada pela ameaça explícita de judicialização. Ao afirmar que estuda acionar o Ministério Público da Paraíba para pedir intervenção na Secretaria de Saúde, o vereador Anderson Pila, líder da oposição, elevou o tom do embate político e expôs a fragilidade da gestão municipal em um dos setores mais sensíveis da administração pública.
O discurso do parlamentar é carregado de indignação e cumpre o papel esperado de quem ocupa a oposição. Ainda assim, o contexto confere peso às declarações. Hospitais privados e filantrópicos que integram a rede complementar do SUS anunciaram a possibilidade de suspender atendimentos por atraso nos repasses financeiros da prefeitura. Trata-se de um dado objetivo, que independe da retórica política e aponta para um problema estrutural de gestão.
A cobrança pela renúncia do prefeito Bruno Cunha Lima pode soar excessiva e antecipar o clima eleitoral, mas revela o grau de desgaste do governo municipal após três anos de mandato. A recorrência de atrasos na saúde indica mais do que dificuldades pontuais. Sugere falhas de planejamento e ausência de previsibilidade orçamentária, algo especialmente grave em uma cidade com papel regional relevante no atendimento hospitalar.
A tentativa de mediação dos vereadores, que se reuniram com representantes dos hospitais e articulam audiência com a Secretaria de Finanças, mostra que o Legislativo busca evitar o colapso do sistema. Resta saber se o Executivo apresentará soluções concretas ou apenas ganhará tempo. Sem um cronograma claro de repasses, a crise tende a migrar rapidamente do campo político para o judicial.
Intervenções administrativas são medidas excepcionais e devem ser tratadas com cautela. Mas a autonomia do Executivo não pode servir de justificativa para a deterioração de serviços essenciais. Quando a ameaça deixa de ser abstrata e passa a atingir diretamente o atendimento à população, o debate perde o caráter retórico e assume contornos de responsabilidade pública. Em Campina Grande, a saúde tornou-se o principal termômetro da capacidade de governar.
O Justiça em Foco informa que permanece à disposição para eventual posicionamento da Coordenação de Comunicação da Prefeitura de Campina Grande e demais interessados. As manifestações podem ser encaminhadas ao e-mail redacao@justicaemfoco.com.br.