
A divulgação dos resultados do Enamed 2025 abriu uma crise no ensino médico. Quase um terço das faculdades avaliadas recebeu notas consideradas insatisfatórias pelo próprio governo, e o anúncio de sanções pelo Ministério da Educação levou o setor privado à Justiça.
A Associação Nacional das Universidades Particulares - Anup entrou com ação para barrar punições como corte de vagas e suspensão do Fies. O argumento central é que houve mudança de metodologia no cálculo das notas e divergência entre os dados enviados previamente às instituições e os resultados divulgados ao público.
O Inep admitiu inconsistências nos números preliminares, mas sustenta que os dados oficiais são corretos. A alteração da metodologia elevou a nota de corte e empurrou cursos que estavam no limite para a zona de punição, ampliando a reação de reitores e mantenedoras.
A Justiça manteve a divulgação dos resultados. Para o tribunal, suspender os dados prejudicaria estudantes que dependem dos indicadores para seguir carreira, como o acesso à residência médica.
O embate ocorre em um ambiente já tensionado por episódios recentes de erros médicos amplamente divulgados. Enquanto o governo defende o Enamed como instrumento de controle de qualidade, o setor privado aponta insegurança técnica e regulatória. No centro da disputa está uma pergunta incômoda sobre quem arca com o custo quando o sistema falha.
Nota da Redação
O Justiça em Foco está à disposição para receber manifestações de entidades e instituições interessadas em contribuir para o debate.
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