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Lei oficializa Ano Novo Chinês no calendário de São Paulo

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Ronaldo Nóbrega 28 de junho de 2026
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A inclusão do Ano Novo Chinês no Calendário Oficial de Eventos da cidade de São Paulo vai além do registro de uma celebração tradicional. É um gesto político, cultural e institucional que dialoga com a própria natureza da capital paulista: uma metrópole formada por diferentes povos, vocações econômicas e identidades culturais.

Estabelecida pela Lei nº 18.493, de 3 de junho de 2026, a medida reconhece a importância da cultura chinesa e a contribuição da comunidade chinesa para a vida social, econômica e cultural de São Paulo. Ao prever a realização anual das celebrações entre os dias 20 de janeiro e 20 de fevereiro, o município incorpora ao seu calendário uma festividade de forte valor simbólico e de crescente presença pública.

A decisão também tem leitura estratégica. O reconhecimento ocorre em um momento em que Brasil e China ampliam sua agenda de cooperação cultural, em meio ao Ano Cultural Brasil-China. A diplomacia, hoje, não se faz apenas por acordos comerciais ou encontros oficiais. Ela também se constrói pela cultura, pela presença das comunidades e pela capacidade de transformar vínculos históricos em pontes de futuro.

Soma-se a isso o reconhecimento da Festa da Primavera, como também é conhecido o Ano Novo Chinês, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Ou seja, São Paulo não apenas acolhe uma tradição localmente relevante, mas se alinha a um movimento internacional de valorização de uma das manifestações culturais mais antigas e significativas do mundo.

Nesse contexto, ganha destaque o trabalho do advogado Thomas Law à frente do Instituto Sociocultural Brasil-China, o Ibrachina. Fundado em 2018, o instituto tem atuado como uma ponte entre Brasil, China e países de língua portuguesa, articulando iniciativas com universidades, associações, instituições públicas e frentes parlamentares voltadas às relações Brasil-China, aos BRICS e à cooperação cultural com países asiáticos.

A oficialização da data, portanto, não deve ser tratada como simples ato protocolar. Ela reconhece uma comunidade ativa, uma presença histórica e uma agenda que interessa à cidade e ao país. Em um mundo marcado por disputas geopolíticas, a cultura permanece como um dos caminhos mais consistentes para aproximar sociedades, reduzir distâncias e ampliar canais de cooperação.

Ao reconhecer o Ano Novo Chinês, São Paulo reafirma sua condição de cidade plural, cosmopolita e conectada ao mundo. É uma decisão correta no presente e inteligente para o futuro.