
Ronaldo Nóbrega | Editor do portal Justiça em Foco. Jornalista e memorialista com quase 30 anos de trajetória na imprensa, dedica-se à cobertura de política, economia, negócios, sindicalismo e temas de interesse público.
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O Tesouro Nacional parece ter descoberto uma solução engenhosa para um problema antigo: como o mercado perdeu o apetite pelo longo prazo, oferece-se o curto. Simples assim. A conta, evidentemente, fica para depois.
No leilão de ontem, foram vendidos 15,65 milhões de títulos prefixados, dos quais 15 milhões vencem em 2028. Duas semanas antes, o mesmo roteiro: outros 15 milhões de papéis com idêntico vencimento. Não é coincidência. É estratégia.
O motivo é menos sofisticado do que o economês costuma sugerir. Quase ninguém quer comprar títulos ligados à inflação, as NTN-Bs, apesar dos juros reais elevados. O mercado olha para o risco fiscal, cruza os braços e espera. O Tesouro, por sua vez, evita forçar vendas que poderiam piorar ainda mais os preços.
Restam as LTNs curtas e as LFTs, corrigidas pela Selic. As primeiras atendem à demanda imediata. As segundas ajudam a alongar parte da dívida e reduzem o risco de refinanciamento.
Funciona? Por enquanto.
O problema é que encurtar vencimentos significa concentrar pagamentos no futuro próximo. Troca-se a dificuldade de vender hoje pela obrigação de refinanciar amanhã. Em Brasília, costuma-se chamar isso de administração da dívida. Fora de Brasília, atende pelo nome de adiamento do problema.
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