
Ronaldo Nóbrega
Editor Sênior Justiça em Foco
Normativa deve trazer mais oportunidades ao mercado e fortalecer os mecanismos de transparência e governança
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, em reunião de diretoria realizada em 31 de outubro, a atualização da Resolução Normativa nº 137, que redefine o modelo de autogestão no sistema de saúde suplementar. A medida tem como foco modernizar a regulação, reduzir custos e ampliar a transparência nesse segmento. As informações são da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS).
Entre as principais mudanças, destacam-se:
multipatrocínio entre empresas de diferentes ramos de atividade, desde que preservada a representatividade;
integração de duas ou mais categorias profissionais em um mesmo grupo de beneficiários;
compartilhamento de redes assistenciais com outras modalidades de planos;
ampliação do conceito familiar para até o 4º grau de parentesco por afinidade;
e a possibilidade de utilização do plano fora da área de abrangência por até 10% dos beneficiários da carteira.
Segundo entidades do setor, a normativa anterior — vigente desde 2006 — impunha um custo regulatório desproporcional às autogestões, o que limitava sua capacidade de expansão e comprometia a sustentabilidade econômica das entidades.
As autogestões são entidades sem fins lucrativos que desempenham um papel social relevante ao aliviar a demanda sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo a pressão sobre o sistema público. Apesar dessa importância, o modelo estava estagnado em crescimento há anos, em grande parte devido às restrições impostas pela antiga regulação.
Com a nova RN 137, o setor ganha maior flexibilidade operacional e espaço para inovação, favorecendo o surgimento de parcerias, expansão de carteiras e novas soluções de atenção à saúde.
Auditoria e compliance: pilares para uma autogestão sustentável
Com as novas diretrizes, as entidades de autogestão precisarão reforçar suas estruturas de governança, auditoria interna e compliance para garantir aderência total às exigências da ANS.
Para o médico e CEO da True, Waldyr Ceciliano(foto), essa atualização representa um avanço positivo para o setor, ao mesmo tempo em que demanda maior comprometimento com a integridade e a transparência. “A atualização da RN 137 exige que as autogestões elevem seus padrões de auditoria e transparência — quem fizer isso estará pronto para crescer com segurança”, destaca Ceciliano.
Uma auditoria eficaz e um compliance sólido ajudam a mitigar riscos regulatórios, evitar autuações e promover a sustentabilidade dos planos. Além disso, o fortalecimento desses mecanismos melhora a credibilidade das entidades junto a patrocinadores, beneficiários e órgãos de controle.
Um passo à frente para a saúde suplementar brasileira
A aprovação da RN 137 é amplamente vista como uma medida positiva para o mercado de autogestão. Ao modernizar conceitos e estimular práticas de governança, a ANS cria um ambiente mais competitivo, transparente e alinhado aos desafios atuais do setor. “As autogestões que compreenderem a importância da governança regulatória e da conformidade legal sairão na frente. A RN 137 abre um novo ciclo, e estar preparado para ele é o que fará a diferença no desenvolvimento do setor”, conclui Ceciliano.
True - Nascida no coração do Rio de Janeiro e agora presente em todo o Brasil, a True é uma plataforma completa voltada para o setor de Saúde, com serviços de compliance, consultoria e auditoria e tem solução integral independente às operadoras, que busca eficiência, economicidade e qualidade dos prestadores de serviços.
Pazuello mobiliza Rio às vésperas de julgamento decisivo sobre royalties
“Estamos imersos em uma crise”, admite presidente do Supremo
Carta da Anvisa pode reforçar uso seguro de canetas emagrecedoras