
Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista. Escreve sobre o Judiciário, o Legislativo, tecnologia, economia e temas de interesse público. É CEO e editor do portal Justiça em Foco, atuou por 12 anos como consulente no TSE e foi autor da Consulta nº 1.185/2005, que impulsionou o debate sobre o fim da verticalização partidária, posteriormente consolidado pela Emenda Constitucional nº 52/2006.
ronaldo.nobrega@justicaemfoco.com.br
Lula saiu da reunião sobre soberania digital (11.agosto.2026), no Palácio do Planalto, com uma cobrança: o governo precisa decidir o que quer fazer com a inteligência artificial.
O presidente disse que o Brasil pretende entrar “de forma definitiva” na era da IA e reconheceu que o tema já é discutido há mais de dois anos sem uma estratégia fechada.
Há, porém, uma pendência prática no caminho.
O setor de infraestrutura digital ainda aguarda o avanço do Redata, regime especial criado para estimular investimentos em datacenters.
A MP 1.318/2025, que havia instituído o programa, perdeu validade em fevereiro. Para substituir a medida, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, apresentou o PL 278/2026.
A Câmara já aprovou o texto.
Agora, falta o Senado.
O detalhe é importante porque, sem datacenters, energia, capacidade de processamento e investimento pesado em infraestrutura, a ambição de transformar o Brasil em protagonista da inteligência artificial fica limitada ao discurso.
Na reunião, Lula também voltou a falar de minerais críticos e terras raras e avisou que pretende convocar novo encontro sobre o tema.
A agenda está desenhada.
O governo, agora, terá de transformá-la em decisão.