
SÃO PAULO — O governo de São Paulo afirmou que a PKL Credcesta foi autorizada a operar crédito consignado no Estado em maio de 2022, meses antes de Tarcísio de Freitas assumir o Palácio dos Bandeirantes, e rejeitou qualquer associação entre o credenciamento da empresa e a atual administração.
Segundo nota do governo paulista, a PKL foi credenciada em 27 de maio de 2022, durante a gestão anterior, com base no Decreto nº 66.622/2022. Tarcísio tomou posse como governador em janeiro de 2023.
A administração estadual disse que, portanto, não participou da escolha ou do credenciamento inicial da instituição e negou que a empresa tenha recebido exclusividade ou tratamento diferenciado durante o atual governo.
A manifestação ocorre em meio a questionamentos sobre possíveis relações entre a operação da companhia, doações mencionadas publicamente e vínculos atribuídos ao então secretário de Governo Gilberto Kassab.
O governo afirmou que o credenciamento de instituições para operar consignados é um procedimento administrativo baseado em critérios objetivos e que não representa contrato entre o Estado e a instituição financeira.
Segundo a nota, o servidor público é quem escolhe a instituição financeira e firma diretamente o contrato de crédito.
O Estado também negou que o Decreto nº 69.126, editado em dezembro de 2024, tenha beneficiado a PKL. A norma criou uma nova categoria de instituições aptas ao credenciamento, mas, de acordo com o governo, a PKL já operava desde 2022 por outro enquadramento.
Dados apresentados pela administração paulista indicam que a PKL responde atualmente por cerca de 3,4% dos R$ 634 milhões movimentados no mercado estadual de consignados. O Banco do Brasil, segundo o governo, concentra mais de metade das operações.
Após a liquidação da PKL pelo Banco Central, o governo paulista afirmou ter suspendido, em 19 de fevereiro de 2026, a celebração de novos contratos envolvendo a instituição.
Os contratos já existentes continuam sendo processados, segundo o Estado, por orientação da Procuradoria-Geral do Estado e para preservar obrigações anteriormente assumidas pelos servidores.
A principal linha de defesa do governo se apoia na cronologia: quando a PKL Credcesta entrou no sistema de consignados de São Paulo, Tarcísio de Freitas ainda não era governador.