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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista. Escreve sobre o Judiciário, o Legislativo, tecnologia, economia e temas de interesse público. É Chairman do Grupo de Comunicação Justiça em Foco, atuou por 12 anos como consulente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi autor da Consulta nº 1.185/2005, que impulsionou o debate sobre o fim da verticalização partidária, posteriormente consolidado pela Emenda Constitucional nº 52/2006.

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6G no palco, 5G no atraso

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Ronaldo Nóbrega 18 de setembro de 2026
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O Brasil receberá, no dia 24 de setembro, um seminário dedicado às redes inteligentes, ao 6G e às futuras gerações das telecomunicações. Promovido pelo Licks Advogados, no Rio de Janeiro, o encontro terá a participação do professor norte-americano John Cioffi, considerado o pai da tecnologia DSL e um dos pioneiros das pesquisas relacionadas ao 6G.

A presença de um pesquisador dessa relevância é motivo de prestígio para o ambiente científico brasileiro. O debate sobre inteligência artificial, propriedade intelectual, patentes essenciais e redes orientadas por intenções é necessário para que o país não permaneça à margem da transformação tecnológica mundial.

Mas há um constrangimento que não pode ser ignorado: o Brasil começa a discutir o 6G sem ter conseguido levar o 5G, com qualidade e abrangência, a todo o território nacional.

A inovação não pode existir apenas nos auditórios, nas apresentações técnicas ou nos discursos institucionais. Ela precisa chegar às cidades do interior, às comunidades da Amazônia, às escolas públicas, aos hospitais, aos pequenos negócios e aos milhões de brasileiros que ainda convivem com conexões precárias ou inexistentes.

A implantação do 5G exige coordenação entre o poder público, a iniciativa privada e as diferentes instâncias de fiscalização. À frente da execução dos compromissos estabelecidos no leilão está a Entidade Administradora da Faixa, a EAF, criada pelas operadoras Claro, TIM e Vivo e responsável por administrar investimentos estimados em R$ 6,3 bilhões.

Desde janeiro de 2026, a entidade informa ter fortalecido os mecanismos de governança e controle. Foram ampliadas as atribuições dos Conselhos Deliberativo e Fiscal, revisadas normas internas, aperfeiçoadas as estruturas de compliance e selecionadas cinco novas auditorias. Uma delas deverá examinar os 30 maiores contratos da instituição. Ferramentas de inteligência artificial também passaram a apoiar o acompanhamento das obrigações contratuais.

São medidas importantes, mas governança não pode ser avaliada apenas pela quantidade de conselhos, auditorias ou regulamentos criados. Sua efetividade precisa ser medida pelos resultados apresentados à sociedade, pelo cumprimento dos prazos, pela transparência dos contratos e, principalmente, pela qualidade dos serviços entregues.

Há avanços que devem ser reconhecidos. A instalação de quatro mil quilômetros de fibra óptica na Amazônia, com potencial para conectar 7,5 milhões de pessoas, representa uma transformação relevante. A limpeza da faixa de 3,5 GHz, concluída com antecedência, também demonstra capacidade de execução.

Ainda assim, permanece uma pergunta objetiva: quando o 5G estará efetivamente disponível para todos os brasileiros?

O seminário “Redes Inteligentes para 6G e Além” poderá oferecer contribuições valiosas para o futuro das telecomunicações. Participarão pesquisadores, engenheiros e especialistas capazes de discutir os desafios técnicos, regulatórios e jurídicos das próximas gerações de conectividade.

O que não se pode admitir é que o entusiasmo com o futuro seja usado para encobrir as deficiências do presente. Será vergonhoso transformar o 6G em vitrine de modernidade enquanto milhões de brasileiros ainda aguardam uma conexão estável e acessível.

O Brasil precisa discutir o 6G, mas deve, antes de tudo, prestar contas sobre o 5G.