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Ronaldo Nóbrega
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Ronaldo Nóbrega é jornalista, memorialista e Chairman do Grupo de Comunicação Justiça em Foco. Escreve sobre Judiciário, Legislativo, economia e tecnologia e atuou por mais de uma década como consulente perante o TSE. Foi autor da Consulta nº 1.185, que contribuiu para o debate sobre o fim da verticalização das coligações. Posteriormente, a Emenda Constitucional nº 52 assegurou aos partidos autonomia para definir suas coligações.

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Lula barrou “Bet da Caixa” e agora promete acabar com as bets

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Ronaldo Nóbrega 23 de setembro de 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou as apostas on-line no centro de sua campanha. No programa eleitoral de segunda-feira (21/9), reuniu-se com famílias endividadas pelas plataformas e prometeu endurecer o combate ao setor.

“Todo mundo sabe que eu tenho vontade de acabar com as bets”, afirmou.

A campanha anunciou duas frentes de atuação: socorrer as famílias afetadas pelo endividamento e “jogar duro” para proibir as apostas. O discurso recuperou um episódio de 2025, quando Lula determinou a suspensão da “Bet da Caixa”, plataforma de apostas esportivas que seria operada pela Caixa Econômica Federal.

O projeto foi apresentado durante a gestão de Carlos Antônio Vieira e tinha lançamento previsto para novembro daquele ano. A estimativa era alcançar faturamento entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões em 2026. A justificativa era compensar a queda nas receitas das loterias convencionais.

A iniciativa, porém, colocou o banco público diante de uma contradição: uma instituição criada para financiar habitação, infraestrutura e políticas sociais passaria a disputar o dinheiro dos brasileiros no mercado das apostas.

A dimensão da crise provocada pelo anúncio da “Bet da Caixa” foi registrada pela Ativaweb. Em apenas 48 horas, a empresa monitorou 891.071 menções ao projeto no Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube.

Segundo o levantamento, 81,4% das manifestações foram negativas, 12,6% neutras e somente 6% positivas. O Índice de Sentimento Ativaweb classificou o episódio como uma crise de percepção.

As palavras mais associadas ao debate foram “Caixa”, “governo”, “apostas”, “hipocrisia”, “vício”, “arrecadação” e “moral”. O maior volume de manifestações foi registrado em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

“Quando o Estado entra no jogo do povo, o risco é transformar arrecadação em desgaste de imagem. O digital amplifica o que a sociedade percebe como incoerência”, declarou, na ocasião, Alek Maracajá, presidente da Ativaweb.

Chico Pugliesi, diretor sindical e empregado da Caixa, atribuiu o projeto à influência do Centrão sobre a administração do banco e afirmou que a proposta contrariava a função social da instituição.

“A ideia do chamado Centrão, grupo político que controla a Caixa atualmente, de criar uma bet vai de encontro à função social do banco, que é financiar políticas públicas em benefício da população. Financiar apostas para seguir a lógica do lucro por meio da exploração da miséria das famílias é um insulto à missão da Caixa”, declarou na época.

A Caixa chegou a desembolsar R$ 30 milhões pela autorização para operar no setor e tentou reverter a decisão presidencial. Não conseguiu. A plataforma jamais entrou em funcionamento.

Agora, Lula procura transformar o veto à “Bet da Caixa” em símbolo de sua ofensiva contra as apostas. O governo, entretanto, ainda enfrenta questionamentos por ter regulamentado o mercado privado durante a atual gestão.

Ao levar famílias endividadas para a propaganda eleitoral, o presidente busca mostrar que a discussão ultrapassou os limites da arrecadação e passou a envolver saúde mental, dependência e desestruturação financeira.

As bets deixaram de ser apenas um problema econômico, social e de saúde pública. Viraram também uma das principais armas da disputa presidencial.